Quando recebi o convite do Andre para ser colunista do “Vida de Triatleta” aceitei na hora. Como triatleta há 14 anos, como um ser humano mortal que divide a vida entre trabalho, estudos, vida social e a planilha de treino de um esporte que engloba 3 modalidades não tenho como falar que não me identifiquei totalmente com o site. Convite aceito. Depois do nosso encontro em uma casa de sucos, super no nosso clima healthy, fui para casa pensando, pensando eu como eu poderia agregar ao site com um conteúdo relevante, com a minha experiência, com a minha história.

Alguns dias e até mesmo semanas,  somente um tema veio a minha mente: MULHER. Quero tentar com a minha história, a minha experiência e o meu feeling do mundo esportivo, colaborar o mínimo que seja para o desenvolvimento do triathlon feminino no Brasil. Vou explicar.

Quem acompanha o triathlon nacional sabe o gargalo que existe na categoria feminina do nosso país, principalmente na elite. Nos meus 14 anos no esporte, 10 deles só víamos três mulheres de destaque e constantes na carreira esportiva: Mariana Ohata, Carla Moreno e Sandra Soldan. Lógico neste tempo haviam  outras que de vez em quando apareciam e logo sumiam, e em paralelo a nossa super diva e inspiração Fernanda Keller que já havia se jogado nas provas de Ironman.

Não preciso ir tão longe, experiência própria de quem começou no esporte cedo, quantas vezes subi no pódium sozinha, o misto de vergonha e felicidade confundiam a minha cabeça. Vergonha por ganhar um título sem concorrente, felicidade por saber que era a única a fazer tal feito.

Este ano estreiei no Ironman, participei do Ironman Brasil em maio e me classifiquei para o Ironman do Hawaii em outubro. Na minha categoria no Ironman Brasil tinha eu e mais duas meninas (gringas), o pódium era premiado três de cada categoria. Um troféu estava garantido se eu terminasse a prova. Minha dedicação e minha experiência me garantiram o primeiro lugar, a tão sonhada vaga para Kona e mais importante de tudo a felicidade de ser finisher de um IRONMAN.

Vaga garantida, viagem confirmada e em KONA participei de um ironman cheio de mulher. Diferente do Brasil que não se via mulher na prova, no Hawaii eu só nadei com touca rosa, no pedal só via mulher (sinistra) e na corrida mesma coisa. Será que é a cultura? Incentivo? Facilidade de treinamento? Não sei. Mas sei que podemos unir forças e propagar nosso esporte para todas as mulheres do Brasil. Não estou falando de Ironman, nem me restringindo ao triathlon, mas estou falando de uma corrente em prol de mais mulheres no esporte. Na “fofoca”do bem, que uma amiga apresenta para a outra uma vida incrível, que mescla disciplina, endorfina, prazer, felicidade, superação e muitas outras sensações que o esporte nos proporciona. E aí, vamos dar as mãos nesta corrente?  Espero trazer para vocês dicas, experiências e histórias que agreguem e motivem cada uma de nós a começar por mim, conto com todas e todos com sugestão de temas, provas, entrevistas ou criticas. O melhor jeito de evoluirmos é com troca de experiências, seja de quem for, ouça, fale, discuta e compartilhe!

Minha frase preferida: “O esporte pode mudar o mundo” Nelson Mandela.

Beijos e até a próxima 😉

Luca Glaser

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