Sou fã de Iron Maiden.

Estranho começar o texto de estreia na coluna, num site que fala sobre triathlon, dizendo ser fã de Iron. E qual a relação?

Lançado em 1986, o álbum Somewhere in Time traz na faixa número 5: The Loneliness of a Long Distance Runner. A letra é uma adaptação de um conto de 1959, de Alan Sillitoe, escritor britânico. Virou filme em 1962, com boas críticas por sinal. Conta a história de um delinquente adolescente chamado Smith em um bairro operário, pego furtando uma padaria. Vai preso. Confinado e solitário, recorre ao esporte para ocupar o tempo e pra tentar mudar o rumo da vida dele. O final é surpreendente.

Voltando ao nosso mundo.

O esporte em geral, não só os de endurance, são frequentemente usados como válvula de escape, assim como para o personagem do livro. Um fenômeno recente faz com que cada um de nós acredite que pode ser  superherói. Existem provas no deserto. Existem provas no gelo. Existem provas que começam no mar gelado dentro de um navio enorme e terminam no alto de um pico pedregoso, sem trilha pra se correr e com temperatura congelante. Quem não lembra da cena do Cleyton Conservani chorando na frente da camera, tentando achar uma razão pra continuar a correr 42 km num cenário árido, branco e inóspito?Acho que isso resume bem o quanto pode ser torturante, solitário. Isso sem contar as “torturas” físicas: unhas destruídas, bolhas, lesões musculares, articulares. Buscar o limite, físico e emocional.

Uma vez li que o motivo básico que move uma horda cada vez maior de esportistas de endurance, é a uma certa estabilidade na vida. O cara casado, com emprego, geralmente bem sucedido. Essa cara precisa de um fator de desequilíbrio. E esse fator é levar o corpo e a mente para limites inexplorados. Na minha vida, o esporte de longa distância, mais especificamente o Ironman, entrou de forma natural. Ficava horas vendo os filmes das provas no Havaí no início dos anos 90. Impossível ficar indiferente vendo caras como Mark Allen, Dave Scott, Scott Molina, entre outros. Demorei quase 20 anos pra realizar o sonho, mas realizei, por mais desesperador que possa ser passar 7, 8 horas longe de casa num sábado ou domingo, sabendo que sua filha está lá te esperando.A chave é manter a motivação. Pra isso, tenho uma frase do Macca, um cara polêmico (pra mim, o maior ídolo contemporâneo do triathlon): dream, believe, succed.

Solitário é ficar preso. Nadar, pedalar, correr é libertador!

Daniel Blois

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