A imagem da sola careca do tênis te faz pensar no quê?

– o cara é mão de vaca e usa até o osso.

– o cara não se importa muito com os pés, os joelhos.

– o cara corre, hein?!

Todo triatleta adora falar do cavalo de batalha, da fiel escudeira: a bike. Eu mesmo já falei bastante sobre as minhas. Mas por que raios ninguém nunca falou sobre os óculos de natação ou então os tênis de corrida?

Ser bike é fácil. Tá lá toda imponente, leve e sobre rodas!!!! Os tênis aguentam todo peso do corpo em uma área bem menor. O tênis é o carregador de piano do negócio todo. Trabalha em silêncio, sem muita pompa e sem muito reconhecimento. Até existe um movimento que tenta mudar isso. Estão cada vez mais coloridos, chamativos, cheios de aperfeiçoamentos.

Eu sou do tempo que tênis era tênis. Até existiam algumas diferenças entre tênis pra futebol de salão, vôlei, corridas…mas tênis de correr, era tênis de correr.

E mais…tênis novo não prestava. Tênis bom era o que tinha a forma do pé!

Aí vieram com pisada x, pisada y…testes de pisadas. E o cara passava até a sentir dor no joelho se ousasse comprar tênis diferente do recomendado. Depois os tênis que custavam 100 dinheiros, passaram a custar 300, 400, 1000 dinheiros. Mas não era o bastante. A cada 6 meses ou 500 km precisava trocar o óleo….ops, os tênis. Mas o bicho ainda brilhava de novo?!?!?

Não importa. Era isso ou sua saúde. Não tem como negar que o cara vende até a alma por uma “propaganda bem feita””, livros como Nascido para Correr vieram para ameaçar as certezas sobre os tênis. Eles atrapalham!!!! O lance era correr sem tênis!

Mas espera…aí também não pode. Quem vai ganhar com isso? Então inventaram uma aberração que parecia um luva pro pé. Tem gente fazendo ironman com essa p*##@ .

Aí a onda dos tênis minimalistas (menos nos preços).

Outros tentaram mostrar que o calçado era irrelevante. Tem um maluco que correu há uns 2 ou 3 anos durante 24 horas em uma esteira com uma sandália plástica (não é a melissinha). Grande vantagem. Meu filho de menos de 2 anos corre o dia inteiro e todos os dias com um par parecido…e detalhe, com o pin do homem aranha.

Um dia me disseram que eu era provador severo. Eu acreditei. A cada par de tênis, uma decepção. Até que desisti e decidi limitar o orçamento a cada nova compra. Comecei a correr com tênis menos tecnológico, classificados pra pisada neutra. Acabou a dor no joelho!

Estratégias de marketing à parte, a escolha do tênis é pessoal. Já não ligo pra pronação, estabilidade, barra anti torção, amortecimento….

Quero um par de tênis que me deixe correr. Sem grandes frescuras.

E respondendo à primeira pergunta, essa sola careca para mim significa prazer, reconquista, evolução. Comprei em outubro de 2012 e sim, arrepiem-se os que trocam a cada 3 meses tenho corrido com ele desde então. Naquela época estava muito pouco confiante. Vinha de 1 ano sem treinar por lesão, sentindo dores eventuais. Voltar é sempre muito difícil.

De lá pra cá não fiz muitas provas, mas recuperei parte da confiança perdida com algumas mudanças estratégicas e treinos muito duros.

Por isso minha homenagem. Valeu por literalmente me aguentar. Mesmo que compre um modelo igual, as histórias serão outras! Outro ciclo se inicia.

Vamos ver o que o futuro reserva.

Daniel Blois

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