Quanto tempo é preciso pra se preparar pra uma prova?

Macrociclos. Microciclos. Treinos específicos de acordo com as características de cada prova. Logística de transporte da magrela. Hospedagem, Hotel. Alimentação. Suplementos. Qual o melhor tênis? Macaquinho, bermuda, top ou camisa de ciclismo? O que colocar em cada sacola de transição? E nas sacolas de percurso? Que horas ingerir o gel, a água…que horas apelar pra mandinga, superstições, etc, etc….

Isto posto, parece que a gente precisa de uma vida toda pra se preparar, não é?

Talvez pra primeira prova da vida isso seja parcialmente verdade. O duro é que a ansiedade é um negócio difícil de segurar.

Você se propõe a fazer um ironman daqui a dois anos e logo no primeiro treino depois da decisão tomada, já está pensando no momento que finalmente vai cruzar a linha de chegada. Acho que isso acontece com todo mundo. Aconteceu também comigo.

Mesmo que não seja um primeiro ironman e que, digamos, o “tempo de espera” seja menor, não será menor que 5 ou 6 meses. A não ser que você seja algum maluco (como alguns que conheço) que se aventura em 2 ou 3 provas por ano.

Cinco meses acordando, trabalhando, comendo, treinando, (pouco) convivendo com outras pessoas e dormindo pensando em Ironman.

Ao longo de todo esse tempo de preparação e planejamento, não acredito que exista alguém que pense em outra coisa a não ser executar o plano ao longo das semanas e chegar no grande dia pra buscar a sonhada medalha e a foto no pórtico.

Mas nem sempre é assim.

Já soube de história de gente abrindo mão de Kona a poucos dias da prova porque a empresa na qual ele trabalhava foi vendida para um grupo maior e a sua vaga (de trabalho) não estaria garantida caso não estivesse 100% comprometido (com o trabalho) naquele momento.

Muito recentemente um amigo que mora longe..mas bota longe nisso…planejou, sonhou, treinou para uma tradicional prova no Uruguai e não conseguir embarcar porque a identidade estava fora do prazo exigido pelas autoridades aeroportuárias.

Já soube de gente que treinou duro para uma prova no final deste ano pra buscar uma marca específica, que na opinião dele separaria meninos de homens e, no meio do percurso, ficou doente. Coisa boba, uma virose, mas estranha pra quem não ficava doente há pelo menos uns 10 anos. Confiança abalada, voltou aos treinos sem muita convicção. Um mês depois, nova virose. Metas iniciais abandonadas. O bom dessa história foi ser apresentado a um novo mundo dentro do esporte, mas isso é assunto pra outra oportunidade.

Como diria um famoso cantor nacional: Esse cara sou eu!

Quase 5 meses de madrugadas perdidas. Mas tudo bem. Fim de semana em praia badalada de Santa Catarina não é de se jogar fora. Vamos a Jurerê. Hotel pago, passagens ok. Mas tinha o golpe de misericórdia. A duas semanas da prova, chega um comunicado da escola da filha com a data da festa de encerramento. Não encerramento do ano, mas sim do ciclo educacional…a formatura do ensino infantil. E seria no fim de semana da prova.

O que fazer? Quem tem filhos vai saber na hora o “certo a se fazer”.

Fiz o certo.

Moral da história: precisamos controlar o que se pode controlar e nos adaptarmos ao que não se pode. Isso vale inclusive (e principalmente) para o dia da prova.

Bom descanso de final de ano a todos e continuem fazendo seus planos! Sem estes, fica quase impossível.

Daniel Blois

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