Quem são seus ídolos?

Certa vez tive o prazer de ter contato com um dos meus ídolos no triathlon, Reinaldo Colucci, que trazido pela Webtreino veio repartir um pouco da sua carreira e falar sobre o seu treinamento para nós. Ao perguntar “o que mais nos motivava a continuar praticando o tri”, ouviu itens como superação, conquista, amizades, etc… Todos concordamos e quando já estávamos respirando aquele clima de nadapedalacorre o Colucci deu a sua versão: “o que mais me faz feliz no triathlon é o poder que ele tem de juntar amadores e profissionais em uma grande festa do esporte a cada largada, quase como uma democracia do tri”. Aquilo definitivamente mudou a forma como eu enxergaria o meu esporte dali pra frente.

De fato o nosso esporte parece ser uma grande democracia, ainda parafraseando o Colucci “em qual outro esporte temos a possibilidade de correr juntos com nossos ídolos? Um cara pode jogar futebol a vida toda, ser até um jogador de muito talento mas como amador nunca vai poder jogar no Maracanã junto com a seleção brasileira, no triathlon estamos todos alinhados juntos, amadores e profissionais percorrerão as mesmas boias na natação, farão o mesmo retorno no ciclismo e correrão a mesma quantidade de metros na corrida, todos juntos como uma democracia com a mesma importância na sua devida categoria”.  Isso por si só já é suficiente para manter a chama do meu amor pelo esporte acesa pelo resto da vida eu acredito.

Olhando para tudo isso, questionador que sou, decidi refinar um pouco esse conceito. Analisando a definição de democracia, que vem do grego demo que significa povo e kratos que significa poder, sugere-se que se trata de um ambiente aonde todos participam igualmente, que o povo tem poder de mudar o próprio destino, até aí tudo a ver. Somos um povo com uma causa, uma comunidade de interesses mútuos e temos um grande consenso do direito pois respeitamos nossas próprias regras e convenções afim de defender nosso esporte, logo somos uma grande República (feitas as devidas associações de conceito). É aí que referencio pela primeira vez o título dessa coluna, podemos sim estar sentados diante da República Democrática do Triathlon, uma nação livre e independente que se fechou em busca de um sonho, um ideal compartilhado que não é baseado em racionalidade ou praticidade pois convenhamos que cobrir as distâncias que percorremos semanalmente ou alinhar em um startlist para sofrermos todos juntos intensamente por 1, 2, 3, 5, 9, 15h não á algo apoiado ou enraizado na mais completa lucidez.

Somos tradutores de sonhos, os produzimos com uma facilidade absurda e conseguimos realizá-los com uma determinação de quem realmente luta por algo muito maior, pelo próprio ideal. Temos sim monstros sagrados desse esporte como Mark Allen, Dave Scott, Craig Alexander, Andy Raelert, os irmãos Brownlee ou o espanhol voador colecionador de títulos mundiais Javier Gomez mas com toda a certeza, sem pestanejar, hoje respondo a pergunta do começo dessa coluna afirmando que meus ídolos são Reinaldo Colucci, Igor Amorelli, Maurício Letzow, Fábio Bronze, Alexandre Perdão, Bruno Calvetti, Raphael Mehl, Fábio Carvalho, Brasílio Castro, Balzer, Adriano Sacchetto, Turquinho, atletas brasileiros e batalhadores como eu, alguns deles bons amigos com quem posso ter o prazer de conviver diariamente (o que muito me motiva), outros que já tiveram muitas glórias e arrastam pelo exemplo, alguns que acompanho de longe mas que sei que também acreditam no poder dessa grande democracia, já passaram por tudo isso que eu estou passando e já conquistaram tudo o que eu sonho em conquistar um dia. A aproximação que o nosso esporte propicia nos faz fortalecer o corpo e o querer, querer vencer e ser igual (ou melhor) que os melhores, querer pertencer a esse universo que só quem imerge consegue entender.

Em todas as sociedades temos prós e contras, bons e maus, honestos e aproveitadores, mas é muito bom sentir que pertencemos a essa grande festa aonde os soberanos nos oferecem o amor ao esporte, os grandes nos oferecem o sábio conselho e o povo, o nosso povo, esse nos oferece a liberdade. Estamos todos unidos pelo nosso esporte que significa para nós muito mais do que somente nadar, pedalar e correr. Não somos livres porque pertencemos a República Democrática do Triathlon, pertencemos a ela PORQUE nos permitimos ser livres para mudar o nosso destino todos os dias e gritar ao mundo o orgulho que temos de ser triatleta 24h por dia.

Bons treinos companheiros.

Andre Raittz.

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