“Chegando perto da hora que eu escolho pra correr geralmente faço uma granola com mel e banana, separo o tênis que está mais na mão, pego uma meia de corrida no guarda roupa, shorts e camiseta também, visto o GPS e me mando pra rua após dar uma alongada rápida”… Se vocês me perguntassem a um mês atrás mais ou menos quais eram os meus preparativos para os treinos de corrida, provavelmente eu daria uma resposta mais ou menos parecida com essa. Em partes eu não estava muito errado mas pecava em alguns detalhes que eram essenciais para manter o aproveitamento e a saúde nos treinos.

Quando comprei meu primeiro tênis de corrida (depois dessa retomada ao esporte em Setembro de 2012) eu sabia muita pouca coisa, leia-se nada, sobre as corridas de longa distância (encarava como longas distâncias corridas acima de 3000 metros, pois quando pequeno treinava em pista era para provas muito rápidas como o 100 e o 200m rasos) e fui a uma loja especializada aqui em Curitiba para me informar mais e fazer a minha primeira compra. Sabia muito pouco sobre amortecimento, cabedal e drop eram palavrões que eu não fazia uma puta ideia do que eram, tênis de treino e tênis de prova se diferenciavam pela cor e talvez por algumas gramas a menos e muito menos sabia manhas como por exemplo comprar o tênis meio número maior para evitar a compressão do pé dentro depois de inchado ou de amarrar firmando o top em cima para acomodar melhor o cadarço e dar mais firmeza no pé. Conversando com o pessoal lá aprendi algumas coisas e saí com um tênis novinho, pronto para encarar meus primeiros mil quilômetros como se nada dali pra frente pudesse me atrapalhar, afinal eu estava comprando um mega tênis e com o amortecimento da N.A.S.A. e tudo, nada podia dar errado né? ERRADO!

Eu até que consegui passar um tempo sem se preocupar com isso afinal meus treinos eram tranquilos e eu estava mais me adaptando com a nova realidade do esforço do que praticando realmente um esporte em alta performance, mas com o passar do tempo meu corpo foi exigindo uma carga de dedicação maior, as pernas foram exigindo mais velocidade e aí o vilão começou dar as caras. Principalmente ao começar os treinos com a equipe de triathlon que participo hoje em dia, quando o volume e a intensidade começaram a crescer, aumentou também a incidências das bolhas e dos problemas que eu colecionava a cada corrida. Não tinha muita ideia de como organizar a minha rotina na escolha dos acessórios e era muito mais fácil culpar a minha técnica e o meu mal jeito na postura do que prestar atenção nos pequenos detalhes que separavam o meu treino do conforto. Nessa época eu tinha dois tênis, um de treino mais alto e com um amortecimento maior e um tênis de prova BEM mais leve e praticamente sem amortecimento, mal eu sabia que eu precisava dominar muito mais que o revesamento dos dois para que meus pés não pagassem o preço.

Com o passar do tempo fui colecionando bolhas a cada treino seja de 3 ou de 15k mas eu continuava pensando que era mais porque os pés tinham que sofrer mesmo do que por qualquer outra coisa, o problema é que o tempo foi passando e junto com as bolhas começaram a surgir alguns cortes nos dedos menores e terminou com a lesão que tive recentemente: uma luxação por stress na palma do pé. Era hora de tomar uma atitude, essa situação já tinha ido longe demais, foi aí que eu consultei alguns amigos aqui do blog, das redes sociais, da academia, dos treinos no parque e resolvi jogar fora todos os conceitos que eu já tinha a respeito do que estava acontecendo e começar tudo do zero, providenciei um kit “anti-bolhas” e estou de volta as ruas. Tá aí uma foto que eu fiz ontem dos tarecos todos.

Kit contra bolhas, cortes e afins...

Kit contra bolhas, cortes e afins… Foto: Andre Raittz/VPP

Primeiro providenciei uma vaselina sólida para passar na virilha, no “garrão” e nos braços para evitar as assaduras e facilitar o deslize dos pés (no pé eu ainda não usei, mas acho que vou testar logo), depois comprei vários tipos de ataduras (transpore, micropore, band aid) nessa foto representadas pelo Esparadrapo para envolver as áreas que futuramente vão me incomodar (todo mundo sabe que em algum lugar o tênis sempre pega um pouquinho, então já me preveni). Por último fui atrás de encontrar um tênis que pudesse fazer os meus pés felizes e acabei escolhendo pelo Noosa Tri 8 (confesso que talvez o convite que a ASICS me fez para participar da prova deles em SP influenciou), um tênis super estável, com uma ótima ventilação, um amortecimento bom, ótimo conforto sem meia e um leve suporte para a pronação já que eu preciso de um tênis para o triathlon e para encarar provas acima de 21k. Após um pedal forte e depois de uma certa quilometragem todo mundo tem uma tendencia a pronar um pouco, comigo não é diferente, tenho uma leve pronação tanto quando faço treinos de transição quanto nas quilometragens avançadas. Junto com esse novo xodó comprei umas meias diferentes pra ir experimentando (essa meia da foto tem reforço em gel na parte do calcanhar e parte superior dos dedos, achei muito legal) e estou muito satisfeito com o que venho experimentando. Sensação gostosa de estar correndo bem novamente, confortável e principalmente conseguindo manter um pace nos 10k ou nos 15k parecido com os que mantenho nos 5k, acho que agora as coisas estão estabilizando.

Estou estudando várias alternativas daqui pra frente, quero comprar pelo menos mais um tênis para alternar nos longos e me preocupar para sempre fazer um rodízio inteligente e eficiente.  Cuidar dos pés e fazer um aquecimento sempre adequado está na minha lista de prioridades também assim como monitorar minuciosamente a quilometragem das meias e dos tênis para não rodar com equipamento vencido. Estou satisfeito com as providências que tomei e estou me sentindo bem porque não tive mais nenhuma dor aguda muito menos aquelas bolhas e cortes que estavam aparecendo. Hoje (quarta-feira, 15/05) tenho uma ergoespirometria e vou treinar depois também, acho que vai ser um bom teste para ver realmente como está rolando a vibe com o novo tênis. Nos próximos 2 meses vou ter várias provas de 10k, 21k, revesamento, aquathlon, etc… Vamos por toda essa empolgação do tênis novo nas ruas pra trazer pra casa os menores tempos possíveis!

Queria agradecer todo mundo que me ajudou (e ainda está me ajudando) com dicas, reviews, opiniões e tudo mais a respeito dos mais variados assuntos sobre esse tema. Seja com o pessoal que me ajudou com o Noosa Tri (em especial a Beatriz Frias, Fabio Sakamoto, o Lauro Caversan, o Juarez da ProCorrer, o Rafa Scuissiatto, o Corredor Amador e a galera que deu uma força por aqui nos comentários) ou com o pessoal que está me ajudando a escolher o novo companheiro de treino dele (em especial ao Fernando Asdourian e a Izabel Genjian da ASICS), graças a vocês consegui fazer uma ótima escolha e estou muito mais esclarecido para fazer os novos investimentos. Novidades eu vou postando. Seguimos juntos.

Andre Raittz

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