Christopher McDouglall é o escritor de nada mais nada menos que um dos maiores best sellers sobre corrida da história, o grande livro Born to Run (Nascido para Correr) que encantou o mundo narrando a história de personagens como Caballo Blanco, Scott Jurek, Jenn Shelton, Gabriel Luna, os Tarahumaras e o próprio Chris, que descobriu na corrida um novo sentido para a sua vida. Nessa entrevista exclusiva o autor do livro conta sobre a repercussão da sua história, fala sobre a indústria de calçados, barefoot running, competições, manda um recado em português para os fãs brasileiros e confirma com exclusividade a história de que o livro vai virar filme em breve! Dá uma olhada:

[tabgroup][tab title=”Entrevista”]

1 – Chris, first of all, thank you for your time, it is a pleasure to us from Vida de Triatleta have this conversation with you. It’s been around 5 years since Born to Run conquered the world and the hearts of runners worldwide, most of the time the reader creates a great identification with you because the narrative is really intimate. Do you have a notion that has changed and changes the lives of many people to this day? Do you have the idea that the book would raise as many arguments as raised?

Christopher McDouglall – If I didn’t write Born to Run, someone else would have. When I was researching it, I could tell that many of the issues it raises were growing more powerful by the day. Lots of people were becoming interested in proper running form and questioning whether the running-shoe companies and the running magazines were lying to them. They were also beginning to look at running as an art and a source of joy, not as a punishment. So I feel lucky that I was able to capture all that in an adventure story right when people were ready to listen.

2 – The tribe of the Tarahumara is vital part in your book, I believe that even became a major chapter in your life. Are you still in touch with the runners there in Mexico? With the exception of running, what the experience with the Tarahumaras brought to your routine?

C.M. – I occasionally get updates about Arnulfo, Herbolisto, Silvino, and Manual Luna, but it’s impossible for me to be in direct communication with them. They live in a very remote region without electricity. Barefoot Ted has been the most diligent about maintaining his friendships, which isn’t a surprise; for all his quirks, he’s a man with a very big heart. He returns every year to run Caballo’s race and to share the profits of his Luna Sandal Company with Manuel Luna.

3 – Ultramarathons are races that still keep the spirit of running, the brands are smaller than the runners. Do you like to compete Chris?

C.M. – Oddly, i’ve lost all interest in competition. or maybe it’s not so odd. Like Caballo, I prefer to run as far and as fast as I feel like on any given day, with no special workout or distance in mind.

4 – Here in Brasil we have many races that move the más locos every year (like Brazil 135 that runs 135 miles through the Serra da Mantiqueira and Ultra dos Anjos that crosses the state of Minas Gerais and have 235 km of extension). The idea of running here in South America does not go through your head?

C.M. – Sure, i’d love to run wild through the Serra sometime. But I’ve been locked at home for the past three years while I’m working on a new book, so I haven’t been able to travel for fun for a long time.

5 – After Born to Run came out, the discussion of shoes and market became very intense, leading to approach the marks on lifestyle to another level. Currently, some of the most powerful companies in the world are investing in minimalist shoes and “barefoot simulators”, in your opinion what is the share of responsibility that Born to Run has in it?

C.M. – I think Born to Run captured a sentiment that was already in the wind. Many people were beginning to suspect that the shoe companies were selling garbage.

6 – After the book, Christopher McDouglall still a writer that runs or now you can almost be a runner that writes? An experience like that can change a man’s life?

C.M. – I’m still a writer that runs. I spend most of my day stuck at my desk, and then I burst out the door for an hour or two of playing in the woods.

7 – The running activity becomes a big market and in many places are going to the opposite side that Caballo and your group deal with such affection your story. There is possibility of the runners save the run spirit?

C.M. – The good news is that Caballo’s race still has the same spirit of love and sharing, and it is still going strong today. Caballo made sure that his race would be about people gathering in friendship and healthy competition with NO corporate interference, and that is still true today.

8 – That is rumors of the book will going to become a movie soon, that’s true Chris? Can you give more details of it?

C.M. – Yes, the movie rights have been purchased and a script is in progress. It’s impossible to predict what will happen in Hollywood until it has already happened, so all I can say for certain is the prospects look good.

9 – Thanks for the time and hope see you soon here in Brasil to run with the tropicália locos, your book inspires every true runner that we know and you history is a life lesson. The space is your for a last word, thanks a lot.

C.M. – Aos meus amigos brasileiros, muito obrigado e espero que possa correr com vocês algum dia.

[/tab][tab title=”Tradução”]

1 – Chris, primeiro de tudo, obrigado pela sua atenção, para nós aqui do Vida de Triatleta é um prazer ter essa conversa com você. Já se passaram 5 anos desde que o Nascido para Correr conquistou o mundo e os corações dos corredores ao redor do globo, na maioria das vezes o leitor cria uma grande identificação com você pois a sua narrativa é bem íntima. Você tem noção que já mudou e continua mudando a vida de tantas pessoas até hoje? Você tinha ideia que o livro ia levantar tantas discussões como levantou?

Christopher McDouglall – Se eu não tivesse escrito o Nascido para Correr, alguma outra pessoa teria. Quando eu estava pesquisando ele, eu posso contar que muitas das questões que ele levanta estavam crescendo cada dia mais fortes. Muitas pessoas estavam se interessandopela forma certa de correr e ao mesmo tempo questionando se as fabricantes de tênis para corrida e as revistas especializadas estava mentindo. Eles estavam também começando a olhar a corrida como uma arte e uma fonte de alegria, não como uma punição. Então eu m sinto um sortudo por ter sido capaz de capturar toda essa história de aventura bem no momento que as pessoas estavam prontas para ouvir.

2 – A tribo dos Tarahumaras é uma parte vital dentro do seu livro, eu acredito que ela tenha se tornado até um grande capítulo dentro da sua vida. Você ainda mantém contato com os corredores lá do Mexico? Com exceção da corrida, que experiência os Tarahumaras trouxeram para a sua rotina?

C.M. – Eu ocasionalmente recebo notícias sobre o Arnulfo, Herbolisto, Silvino e Manuel Luna mas impossível para mim estar em contato direto com les. Els vivem em uma região muito remota sem eletricidade. Barefoot Ted foi o mais “assíduo” na hora de manter a amizade, o que não é uma surpresa; por todas as suas peculiaridades, ele é um homem com um grande coração. Ele volta lá todo ano para a Caballo’s Race e para dividir os lucros da Luna Sandal Company com Manuel Luna.

3 – Ultramaratonas são corridas que ainda mantém o espírito de correr, as marcas são menores do que os corredores. Você gosta de competir Chris?

C.M. – Curiosamente, eu perdi todo o interesse na competição (ou talvez não tão curiosamente assim). Como Caballo, eu prefiro correr o quanto e tão rápido quanto eu quiser e no dia que eu quiser, sem um treino específico ou distância na minha cabeça.

4 – Aqui no Brasil nós temos muitas corridas que movem os más locos todo ano (como a Brazil 135 que percorre 135 milhas através da Serra da Mantiqueira e a Ultra dos Anjos que atravessa o estado de Minas Gerais e tem 235 km de extenção). A ideia de correr aqui na América do Sul não passa pela sua cabeça?

C.M. – Claro, eu adoraria correr através da Serra algum dia. Mas eu estou trancado em casa nos últimos três anos enquanto eu stou trabalhando em um novo livro, então eu não estou podendo viajar para me divertir por um bom tempo.

5 – Depois que o Nascido para Correr foi lançado, as discussões sobre tênis e mercado se tornaram muito intensas, fazendo com que as marcas prestassem mais atenção ao lifestyle. Atualmente, uma das mais poderosas empresas do mundo está investindo em tênis minimalistas e “simuladores de corrida descalço”, na sua opinião qual é a fatia de “culpa” que o Nascido para Correr tem nisso tudo?

C.M. – Eu acho que o Nascido para Correr capturou um sentimento que já estava voando por aí. Muitas pessoas estavam começando a suspeitas que as empresas de tênis estavam vendendo lixo.

6 – Após o livro, Christopher McDouglall continua sendo um escritor que corre ou agora já é quase um corredor que escreve? Uma experiência como essa pode mudar a vida d um homem?

C.M. – Eu continuo sendo um escrito que corre. Eu gasto a maior parte do meu tempo preso em uma mesa e aí explodo porta afora para brincar por uma hora ou duas nas florestas.

7 – A corrida se tornou um grande mercado e em muitos lugares está indo para o lado oposto do que Caballo e a sua turma cultivavam com tanto carinho na sua história. Existe a possibilidade dos corredores salvarem o espírito da corrida?

C.M. – A boa notícia é que a Caballo’s Race continua com o mesmo espírito de amor e partilha, e continua forte até hoje. Caballo tinha certeza que essa corrida se trataria de pessoas se reunindo pela amizade e pela competição saudável SEM interferências corporativas e isso continua até hoje.

8 – Existe um rumor que o livro se tornará um filme em breve, isso é verdade Chris? Você pode dar mais detalhes sobre isso?

C.M. – Sim, os direito d imagem do filme já foram adquiridos e um script já está em andamento. É impossível prever o que vai acontecer em Hollywood até que já tenha acontecido, então tudo que eu posso dizer é que  as perspectivas são boas!

9 – Obrigado pela sua atenção e esperamos encontrá-lo aqui no Brasil em breve para correr com os tropicália locos, seu livro inspira cada corredor verdadeiro que a gente conhece e a sua história é uma lição de vida. O espaço é seu para se despedir, muito obrigado.

C.M. – Aos meus amigos brasileiros, muito obrigado e espero que possa correr com vocês algum dia.*

 

*Chris finalizou falando em português.

[/tab][/tabgroup]