O impossível foi uma palavra inventada por alguém que desistiu“, foi pensando nisso que eu sempre guiei os meus treinos. Por menor que seja, é sempre importante evoluir.

Ao contrário de muita gente no esporte eu nunca tive uma vida guiada pela prática de exercícios físicos de alto rendimento. Fui um atleta modesto nos meus tempos de infantil/juniores, sempre disputando modalidades coletivas (no caso, basquete e handebol) e atletismo de pista anaeróbico (100m e 200m rasos), carreira que durou pouco devido a compromissos da minha vida profissional que começou cedo (por volta dos 12 anos).

O tempo passou e 13 anos depois, com uma faculdade de comunicação e um longo período como fumante nas costas, decidi que era hora de dar um novo rumo a minha vida. Senti necessidade de voltar a treinar, de voltar a sentir a adrenalina que o esporte me proporcionava, (mesmo que nos tempos de junior aonde a cobrança por resultados não é tão pesada). Uma turma de amigos em comum, a maioria ligada as artes visto que eu hoje sou fotógrafo e artista visual, decidiu organizar um futebol aos sábados… Aquilo era um show de horrores mas a tempos eu não me divertia tanto. Nos 3 ou 4 meses que seguiram, nos encontrávamos todo final de semana para judiar da bola e rir um pouco e aquilo me fez despertar, me fez enxergar o quanto o esporte era importante na minha vida.

Certo dia, um grande amigo (e craque do nosso time de sábado, Biel Carpenter) aparece na pelada com um Adidas Boston (tênis de corrida da famosa marca alemã) com um papo muito estranho: “PIÁ, correr é muito massa, me sinto outra pessoa. Você deveria largar essa história de 100m rasos e futebol canelada para tentar. Você vai se surpreender”. Minha primeira reação foi “UHUM, CERTEZA. MALUCO”, mas chegando em casa aquela história não saia da minha cabeça. Como eu poderia sair correndo 3, 4, 5km que nem um maluco por ai com esse meu pulmão preto? Ao imaginar todas as possibilidades, nenhuma delas terminava com nada mais nada menos que a minha morte.

Passando um tempo, fui prestar um serviço de fotografia para uma grande empresa do setor de telecomunicações, em uma meia maratona aqui na cidade de Curitiba, foi aí que tudo fez sentido. Eu era encarregado de produzir as fotos de “finisher” do pessoal que ia terminando a prova e fui ficando cada vez mais chocado, não era raro aparecerem pessoas de 60, 70, 80 anos para ser fotografados, felizes e inteiros como se estivessem em uma embriaguez de sentimentos bons, tomando o sorriso de ponta a ponta. Nesse momento pensei: “Andre, toma vergonha nessa cara rapaz. Olha esse povo feliz, correndo. Se eles podem, você também pode! Levanta essa bunda da cadeira e vamos começar esse projeto!”. Não deu outra, chegando em casa não conseguia tirar essa ideia da cabeça e no outro dia já estava na porta da loja de materiais esportivos para comprar o meu primeiro tênis e começar o treinamento.

De lá pra cá, tenho tido uma vida muito feliz. Participei de diversas provas de corrida e ciclismo pelo sul do Brasil. Algumas medalhas depois foi a vez de me fazer um outro questionamento: “E agora? Qual é o próximo passo?”. Esse blog é a resposta. Estou começando a minha inserção no universo do triathlon e quero repartir aqui tudo o que passar. Que decisões tomei, que tipo de treinamento estou fazendo, qual é a frequência, o que estou lendo, que dicas estou recebendo, quais foram os acertos, quais foram os erros, que tipo de provas vou fazer e que tipo de sonhos ainda tenho.

O Plantio é opcional, mas a colheita é obrigatória.

“Tá Andre, mas e o que o título do post tem a ver com o conteúdo?”

Eu não sou um sujeito com uma vida financeira abundante, o dinheiro aqui em casa como grande parte do povo brasileiro, é contadinho. Por isso tive que fazer essa dura escolha, para adentrar nesse universo (vide que o custo hoje para se treinar/participar de um triathlon é muito alto), vendi uma câmera a qual eu nutria um grande amor para ter como fazer o primeiro investimento (em piscina, academia, planilhas e blablablas…). Fiquei triste mas confiante, de que no final das contas estou trocando um amor por outro.

Foi aí que eu decidi vender minha câmera, foi aí que eu decidi virar um triatleta. Bem vindo ao meu blog. Meu nome é Andre Raittz, em vias de completar 26 anos estou buscando um sonho, da boemia ao Ironman, essa é a meta.

Obrigado. Volte sempre.

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