O que era pra ser um texto de aventura aos poucos foi se tornando um verdadeiro romance e a Golden Four se tornou a minha mais nova paixão, daquelas que a gente quer contar pra todo mundo, daquelas que a gente quer curtir a toda hora, o tempo todo. Como dizem muitas rodas de samba antigas: “um homem só é verdadeiramente feliz quando encontra uma grande mulher“, talvez um corredor só seja feliz de verdade quando encontra uma grande corrida, uma distância para chamar de sua, um evento para repartir com orgulho na roda de amigos do churrasco. Talvez assim seja a G4 pra mim daqui por diante.

Largada da ASICS Golden Four - Etapa SP

Largada da ASICS Golden Four – Etapa SP

A convite do pessoal da Asics, voei para SP no sábado bem cedinho para encontrar um grande amigo e retirar o kit na Expo Golden Four e já de cara fiquei encantado com a infraestrutura que a Asics montou no WTC Convention Center, é algo realmente impressionante para uma prova de corrida de rua. Além da retirada do kit ter sido super rápida e sem burocracias (apesar da fila grande, o ritmo era bem acelerado e o corredor não ficava esperando por muito tempo já que vários guichês estavam distribuindo os chips de acordo com a categoria de cada um), a Asics e o pessoal da Iguana Sports com certeza separaram um bom tempo pensando em cada detalhe pois a recepção aos corredores é muito humana e atenciosa contando com várias coisas legais, desde um lanche na retirada do kit até mensagens de incentivo antes da prova. A expo tinha várias atrações como falei acima porém 3 delas me chamaram muito a atenção: as palestras, a pista de velocidade e a loja. Foi montada uma estrutura super legal para que fosse possível realizar várias palestras aos corredores que abordavam os mais variados assuntos, uma mão na roda pra quem precisava de algumas palavras bacanas antes da prova. No canto direito da expo foi montada uma mini pista de atletismo aonde os corredores podiam ir com tudo e ver em uma tela a sua velocidade máxima em tempo real, uma atração bem legal para quem quer dar uma relaxada antes da prova e voar mesmo que por alguns instantes. No canto esquerdo tínhamos acesso a loja da Asics que contava com uma grande variedade de produtos voltados a corrida de rua com preços realmente interessantes, de camisas finisher até porta trecos a loja fez a alegria de muita gente naquela tarde de sábado (não levei nada pois as filas pra pagar estavam realmente grandes e meu tempo era curto, senão com certeza tinha ficado algumas centenas de reais mais pobre rsrs). Saímos de lá e fomos direto para a Ultratattoo reencontrar os amigos e jogar conversa fora, um resto de dia bem relaxado para encarar os 21k mais rápidos do país no dia seguinte.

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A pista, a loja e as palestras. Ponto alto da Expo Golden Four SP/2013.

A ansiedade pelo primeiro encontro com a G4 bateu e acordei várias vezes durante a noite pensando já estar atrasado para a corrida até que as 4:45 da manhã resolvi pular de vez e começar os preparativos. Saímos de casa as 6h da manhã (sim, parece ser bem atrasado para os padrões de trânsito de SP mas acontece que estávamos em Taboão da Serra, a 10 minutos do Morumbi, por isso a tranquilidade) e o movimento já era intenso na rodovia, São Paulo realmente nunca dorme. Chegando no Jockey o frio bateu (a temperatura estava na casa dos 9ºC mas a sensação térmica era bem inferior a isso eu acho), tratei de correr para o guarda volumes lá perto da pista para deixar minhas coisas e fazer um aquecimento e foi lá que aconteceu a única coisa um pouco mais chata da prova, as filas eram quilométricas e ficar ali naquele frio não foi nada legal, porém quando se trata de um grande contingente de pessoas requisitando um serviço ao mesmo tempo nada mais natural que as filas se formem. Apesar do tamanho as filas andaram razoavelmente rápido e em pouco mais de 20 minutos eu já tinha conseguido guardar as minhas coisas e sair pro aquecimento, o problema é que eu cheguei as 6:10 mais ou menos e fiquei bem jeca tatú ali admirando a estrutura que a Asics e a Iguana Sports tinham montado lá no Jockey que esqueci de me agilizar, fui só me encaminhar aos guarda volumes por volta das 6:40 e quando saí de lá a largada estava praticamente começando! Subi rapidamente até o local da largada e me posicionei bem no fundão com a galera que ia correr pra 6:30 min/km (único lugar tranquilo de se posicionar pois os outros estavam bem cheios) e confesso que isso fez toda a diferença positivamente para a minha corrida.

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Uma largada tranquila me deu mais confiança para seguir firme e acima de tudo curtir a prova.

Deu-se a largada e a galera do fundão demorou um pouco até começar a correr, muita coisa passou pela minha cabeça e eu fui tomado por uma outra espécie de emoção, uma sensação que eu talvez nunca tivesse encarado em uma prova antes. Minha experiência tanto nas provas de corridas de rua quanto no triathlon para qual eu estou treinando sempre giraram em torno das curtas distâncias (full-gaz do começo ao fim, no talo, coração na boca sem perder um segundo) e aquilo ali era completamente diferente, ver aquele pessoal rindo e curtindo a vibe de estar no fundão, curtindo a sensação de estar ali para completar uma distância e deixar com que a corrida faça a sua mágica na linha de chegada mexeu comigo, afinal no fundo no fundo é para isso que a gente compete, para fazer bem! Aos poucos a ansiedade de estar parado mesmo depois da buzina ter tocado foi dando lugar ao aconchego de estar curtindo uma vibração toda especial com aquele pessoal e aquilo, confesso, tomou conta da minha cabeça dali pra frente. Adaptei minha estratégia que era de fazer tempo e segui o fluxo para apenas “ver no que dava”, correndo muito mais com o coração do que com as pernas, quase que numa procissão da saúde, uma celebração da vida.

Segui da largada até o km 9 (sim, meia prova praticamente) correndo em ritmo confortável, praticamente um “soltinho” para curtir tudo aquilo que tava rolando (desde a animação do pessoal até o fato de estar correndo no mar de gente) e me sentir mais confiante para terminar a corrida bem, segui a 5:40 min/km afim de evitar outro desconforto intestinal como o que me afetou na Meia de Curitiba e poder acelerar confiante até a linha de chegada. Fui curtindo tudo o que a prova me oferecia, desde o cenário até as frases de incentivo que a Asics colocou no decorrer do percurso, usando aquilo tudo como um combustível para o resto da prova e para o resto do meu ano esportivo (foi um momento realmente especial), quando me senti 100% resolvi começar a acelerar e começar a prova pra valer, me estabeleci nos 5:00 min/km e fui gradualmente aumentando a velocidade com o passar dos quilômetros afim de correr atrás do “tempo perdido” para não terminar a prova em um tempo tão alto (o que, sinceramente, não me incomodava muito naquele momento). Não tem como reclamar de absolutamente NADA da organização da prova, a cada 3 km tínhamos pontos de água, Gatorade, banheiro químico e posto médico, realmente uma segurança a mais para os participantes (principalmente para mim, que estava com medo de ter o mesmo desconforto de outrora). Fui me mantendo na casa dos 4:00 min/km (oscilando entre 4:15 min/km até 4:50 min/km) quando lá pelo km 14 uma mulher aparece do meu lado e no mesmo ritmo começamos a correr a prova juntos, nesse momento é super legal ter uma companhia que corra no seu ritmo pois assim fica mais fácil de encaixar uma cadência e manter um ritmo médio. A velocidade estava legal e o corpo respondia bem até perto do final da prova, quando a partir do km 18 senti que dava pra seguir apertando (mesmo com o aparecimento de algumas dores). A companheira já estava sentindo um pouquinho por isso dei pra ela um gel meu que havia sobrado, desejei boa prova e segui meu caminho tentando me manter na casa dos 4 o maior tempo possível pois sabia que logo menos as pernas iriam começar a reclamar e o ritmo cairia.

Não deu outra, saindo da raia da USP as pernas me mandaram um aviso: ou eu forçava e metia força nos gambitos pra continuar na mesma pegada até o fim ou eu aliviava e completava a prova de forma mais tranquila encarando os últimos quilômetros mais como um passeio do que como uma competição. Como eu já tinha passeado o suficiente nessa prova decidi botar força nas pernas para terminar correndo bem e foi assim até o final, passando por vários motivadores da Asics perto da chegada e adentrando o Jockey seguindo até a reta final que coroava os corredores com uma grande festa. Cheguei me sentindo muito bem e a maior alegria de ter vencido os 21k da Golden foi justamente a satisfação de voltar a terminar uma prova longa inteiro, com uma grande esperança de que finalmente dias melhores virão, longe das lesões e mais perto das conquistas. Terminei a prova cravando o tempo de 01:51:53 mesmo correndo metade da prova em ritmo bem lento e se o slogan da prova (“Seu tempo diz quem você é”) é a tradução da realidade, o meu fala o seguinte: “Sorri, chorei, pensei,, refleti, suei, gritei e fui feliz por uma hora, cinquenta e um minutos e cinquenta e três segundos. Minha corrida nunca mais será a mesma”.

Missão cumprida. Após corridas como essa a gente leva pra casa muito mais do que uma medalha e um tempo, leva aprendizado e amor, muito amor.

Missão cumprida. Após corridas como essa a gente leva pra casa muito mais do que uma medalha e um tempo, leva aprendizado e amor, muito amor.

  • PONTOS FORTES: Organização do pré-prova, estrutura, atenção aos corredores, percurso sensacional, hidratação perfeita, incentivo e preocupação com a performance de cada competidor, kit de primeira qualidade, ambiente super astral, segurança, qualidade dos serviços.
  • PONTOS FRACOS: Filas grandes no guarda volumes.

NOTA: 9.5

Ter participado da Golden pra mim foi mais do que sair pra correr no domingo, com certeza essa prova ensina e dá uma aula de como tratar o seu corredor para todas as outras provas que eu já participei. O carinho com que o pessoal da Asics e a Iguana Sports recepcionaram e trataram as pessoas tanto na Expo quanto na prova foi algo que eu nunca tinha visto em uma corrida, foi muito importante contar com essa vibração justamente por estar em uma cidade diferente e estar um pouco perdido. Como eu falei no primeiro parágrafo desse post, me apaixonei… Me apaixonei pelo carinho, me apaixonei pelo percurso, me apaixonei pela vibe desses 21 km… Se na vida podemos nos reinventar, meu coração pode muito bem separar um lugar todo especial para essa festa chamada Golden Four ASICS. Bem vinda ao meu calendário anual G4!

  • Nome da Prova: ASICS Golden Four – Etapa SP 2013
  • Distância: 21 km
  • Tempo líquido: 01:51:53
  • Pace médio: 5:19 min/km
  • Temperatura: 16ºC
  • Tênis usado: Asics Noosa Tri 8

Andre Raittz

Antes de terminar esse post gostaria de deixar um grande abraço para o meu grande amigo Fábio Massashi e toda a família Ionoki, que como sempre me recebeu de braços abertos e me ajudou do primeiro ao último minuto em que eu estive em solo paulista, sem vocês eu não teria condição nenhuma de ter uma experiência como essa (vocês são uma família pra mim, espero retribuir todo esse carinho algum dia). Um grande abraço para o meu parceiro Gui Brandão também que é um cara fora de série e me ajudou muito a controlar a ansiedade com palavras certas nas horas certas e ao pessoal da Ultra que é sempre garantia de bons momentos e boas risadas. A Leticia Miyazaka pela oportunidade e a Izabel Genjian pelo carinho. Vocês são demais, obrigado.

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