Finalmente eu acredito que o mistério terminou, se isso é bom ou ruim vou descobrir só depois.

Quem acompanha o Diário aqui no Vida de Triatleta sabe que eu tenho tido vários pequenos intervalos no meu programa de treinamento para curar pequenas dores, indisposições, lesões, etc… Desde moleque nunca tive problema com lesões, os treinamentos sempre correram com tranquilidade e as únicas dores que me pegavam eram aquelas do pós-prova que todo mundo está acostumado a ter, nada demais. Antes da Travessia de Guaraqueçaba tinha um treino de transição indoor programado, peguei minhas tralhas e fui para a academia. Chegando lá a etapa do ciclismo foi puxada então resolvi alongar bem antes de sair correndo, alonga braço daqui, perna dali, lombar e quando chego no pescoço BOOM, a minha coluna trava inteira e até para respirar foi difícil. Em vez de cair na esteira, caí foi na fila de espera do Hospital da Cruz Vermelha para ver o que estava acontecendo.

O ortopedista de plantão me examinou, pensou e mandou o veredito: “Não é nada demais, faz uma bolsa de água quente 3x ao dia, toma anti inflamatório e boa, vai ficar novo”. Saí de lá tranquilo porém a dor não quis me abandonar, dia a pós dia sentia o desconforto aumentar e praticamente não conseguia treinar direito, cheguei a pensar em overtraining, a pensar que era um azarado ou até mesmo que talvez o esporte não  combinava mais comigo (olhe só que barbaridade que passa na cabeça da gente quando estamos tristes). Decidi consultar a opinião de outro médico, dessa vez o Dr. João Henrique Sanches, plantonista do meu plano de saúde e um dos melhores clínicos gerais com o qual eu me consultei até hoje. Ele examinou, pensou, avaliou e como Guaraqueçaba estava chegando (era dali 3 dias) resolveu o seguinte: “Pode ser algumas coisas, mas vamos fazer o seguinte… Faz um raio X lombosacra pra mim ter certeza de algumas coisas e controla essa dor com o medicamente X e Y, como você está treinando bem não deve ter problemas para completar a prova e após a competição a gente pensa no que fazer”. Foi tiro e queda, a dor praticamente me abandonou e não tive problemas para nadar a travessia. Voltando lá na segunda feira com o Raio X a suspeita do Dr João se confirmou, o motivo de eu estar com essas dores chatas e de toda a dificuldade de treinar dos últimos meses era derivada de uma fratura no arco de ligação L5-S1, uma espondilolise, acentuação da lordose lombar e redução de espaços intervertebrais em dois locais. Na hora ele me encaminhou para um especialista em coluna e me pediu atenção para o problema pois eu sou muito jovem para ter esse tipo de fratura e se não fosse dada a devida atenção agora, eu poderia ter problemas mais pra frente.

Ao consultar o especialista tive algumas notícias boas a ruins. A boa era que agora eu sabia o que estava rolando e a esperança se renovava a medida que o médico me receitava o tratamento, a ruim era que o tratamento não seria nada fácil e eu teria que lidar com o lance da dor pois só com muito esforço, musculação, pilates e muita calma eu conseguiria resolver o meu problema e voltar a treinar como antes. Ao saber o tamanho do meu oponente agora ficou mais fácil me preparar para derrotá-lo, sei que a batalha vai ser dura mais estamos aí na luta. Comecei essa semana a adaptar meus treinamentos, agora o foco vai ser muita natação, reforço muscular, estabilização do CORE e fortalecimento do abdome. Devo passar de 2 a 3 semanas só reforçando para depois gradativamente voltar a correr e a pedalar, provavelmente esse resto de 2013 vai servir para construir uma estrutura muscular sólida e preparada para que a periodização de Janeiro, pré-Sesc, possa ser bem sucedida.

O #projetopódioSesc2014 continua firme e forte, tenho uma grande batalha pela frente mas a vontade de superar essas adversidades é maior. Só de saber que ao resolver esse problema todos os outros vão sumir e eu vou conseguir voltar para a minha rotina normal de treino já me dá energia suficiente pra seguir tentando. Obrigado a todo mundo que sempre deu força desde o blog antigo até o novo Vida de Triatleta, gostaria de dizer que a força e o apoio de vocês são fundamentais nessa caminhada! Seguimos juntos, como sempre foi!

Andre Raittz

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