Maratona dos Perdidos 13k - Race Report
Dificuldade AvançadaVisual IncrívelVibe da Prova
84%Valor Total
Percurso90%
Segurança83%
Organização91%
Visual94%
Kit73%
Custo72%
Votação do Leitor 1 Voto
85%

Sábado dia 18 de Julho foi o dia da tão esperada Maratona dos Perdidos, prova que acontece no município de Tijucas do Sul (a 50 km de Curitiba) e é uma das provas mais aguardadas pelos corredores de montanha de todo o estado. Nós estivemos lá e vamos escrever um pouco da nossa experiência, o review será escrito pelo nosso atleta Andre Raittz.

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Inscrição

O processo de inscrição através da TRC segue a linha de pensamento da empresa em quase tudo o que faz, simplicidade, eficiência e praticidade. Pode-se fazer a inscrição através do site da própria TRC (www.trcbrasil.com.br) ou através de sites de parceiros de uma forma muito rápida e simples, nenhum enrosco ou dificuldade por aqui.

Retirada de kit

A retirada de kit já inspira o corredor a ir entrando no clima da prova, não sei se é porque foi exatamente no dia do meu aniversário e o dia estava sendo de fato especial para mim mas como eu tinha ido a mesma loja retirar o kit de uma prova a poucos dias antes e não tinha tido uma experiência muito boa, achei que a estrutura tanto de pessoal quanto de logística que a TRC montou na loja da The North Face do Shopping Crystal foi muito legal. Um pessoal bacana, atencioso, montava o seu kit em instantes e rapidamente você já estava com tudo na mão. Fácil e prático. O kit tem algumas coisas bem legais como a camiseta da prova que tradicionalmente é de muito boa qualidade, assim como uma bandana da TRC/The North Face muito legal e um número de peito com chip para evitar que o mesmo fique preso em galhos e matos (caso fosse usado nos pés). Top!

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O guardião do Perdidos! Foto: Marcos Cons

Para quem não conhece, a Maratona dos Perdidos é considerada por muitos especialistas gringos e brasileiros como a Maratona de Montanha mais difícil do Brasil (talvez uma da mais difíceis das Américas), só isso já dá uma adrenalina a mais para o período pré-prova. Muitos corredores de Curitiba vão para lá então a minha dica é procurar algum grupo de amigos que vá e se organizar para partir em comboio (ou arrumar uma caroninha esperta) o que alivia bastante a ansiedade porque não precisa ficar se preocupando com toda a logística. É só acordar, encontrar os amigos e partir pra montanha.

Deslocamento

Não tive problema nenhum com o deslocamento, de fato a estrutura viária para chegar na fazenda dos perdidos é um pouco complicada porque só existe uma estrada que liga Curitiba a montanha e caso muita gente esteja se deslocando ao mesmo tempo o trânsito pode ficar um pouco truncado por lá mas o pessoal da TRC pensou em tudo e separou as largadas por distância, assim o pessoal foi chegando de tempos em tempos e tudo ficou muito mais fácil, chegamos diretamente na fazenda aonde já havia sido preparado um estacionamento que suportava tranquilamente todos os carros.

Organização

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O sol aparecendo para nos receber na piramba. Foto: Equipiazza

Um dos pontos altos da prova. Desde o material de apresentação da prova, até o “simpósio” e o estacionamento no local a organização da TRC é impecável. Uma estrutura que conta com atendimento médico, guarda volumes, um locutor engraçado animando e interagindo com todo mundo que chegava na fazenda, programa Lixo Zero aonde cada corredor é responsável por fazer a sua hidratação não deixando lixo nas trilhas (sob pena de desclassificação), equipe médica com carro e todas as outras coisas que estavam presentes lá tem que ser considerada como um ponto alto da prova. Você sabe que vai enfrentar uma prova dificílima mas fica tranquilo quando vê que a organizadora está 110% preparada para te ajudar no que você precisar.

Clima

Passamos a semana tensos a respeito do clima que iríamos enfrentar lá. Quem já treinou no morro molhado sabe que ele tem uma capacidade ímpar de se tornar um pesadelo para qualquer corredor quando chove e aquela semana vinha chovendo desde segunda-feira. Chegando lá de manhã o tempo estava fechado e por todo o lugar que se olhava era um barro que só, porém alguns minutos antes da largada do 13k abriu um sol fantástico, para coroar aquela subida linda que estávamos prestes a fazer. A prova acabou sendo perfeita, MUITA dificuldade por causa da lama e dos atoleiros com um solzinho gostoso para espantar o frio! Não poderia ser melhor. Sobre o clima emocional sinto que ainda estava sob o efeito de algo que ainda não sei explicar, desde que cheguei na fazenda me senti muito bem e aquela vibe foi tomando conta a cada minuto. Meu treinador (que além de triatleta é um grande corredor de montanhas, Bruno Calvetti) estava lá para dar aquela força e as últimas dicas para a subida, assim como o pessoal da WebTrail que por si só já é um show a parte. Não me lembro de ter me sentido tão bem assim em qualquer outra prova que participei na vida (sim, na vida toda).

A prova

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Força no bigode! Foto: Marcos Cons

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Trechos de trilha muito fechada elevam a dificuldade da prova o tempo todo. Foto: Marcos Cons

Pode se dizer que lá  sim “o filho chora e a mãe não vê”. Largamos de dentro da fazenda e seguimos rumo a montanha, após os primeiros 300m de tranquilidade começa a pirambeira de estrada de chão que só vai acabar no km 5 mais ou menos, não existe um metro sequer de refresco se o cabra quiser descansar vai ter que descansar subindo. Como eu já havia treinado lá (obrigado ao meu amigo Cid Araújo que me levou para conhecer aquele caos antes da prova haha) e costumo seguir a risca as instruções do meu treinador (quando possível) em competições, segurei um pouco a onda na subida porque além de estar lesionado (distensão no adutor e contratura na panturrilha direita) não vinha de uma sequência de treinos tão boa para me garantir na ponta dos cascos e ao visualizar as primeiras antenas dei um tiro forte para entrar no single track na frente de um bloco grande de pessoas (devo ter ultrapassado umas 40 talvez) pois a partir dali seria uma fila indiana até o cume praticamente. A estratégia deu certo e encontrei um grupo bom de corredores que estava andando bem na trilha, seguimos em um ritmo moderado até o cume aonde avisei o corredor da minha frente que a corrida começaria ali, ele prontamente largou um “Então toca meu filho que o negócio ta apertado aqui” e dali pra frente eu coloquei na cabeça que era a minha hora (assim como o Calvetti tinha me falado para fazer), mandei mais um gel pra dentro engoli o coração e parti pro ataque. Após o cume a prova fica bem técnica, com trilhas estreitas, crista de montanha e muitos trechos de sobe e desce no meio de mata quase fechada, resolvi que aonde fosse possível correr eu correria forte afim de buscar as pessoas que haviam abrido de mim na subida e aonde não fosse possível correr, manteria um ritmo forte de caminhada afim de manter a pressão. A estratégia foi dando certo e um a um fui buscando o pessoal e me sentindo cada vez melhor, no final da crista estávamos em um grupo de 4 corredores com um bom ritmo, puxei a fila o tempo todo até entrarmos na estrada de novo que nos levaria ao pé da montanha, tomei uma água (um banho praticamente) no galão do ponto de hidratação e segui descendo forte na casa dos 3:30/km até entrar no último trecho de trilha/single track que seria também o mais travado e tenso. Um barral inacreditável que cercava uma cachoeira fantástica fazia com que a corrida fosse muito mais difícil e ali o corpo deu uma baixada, mandei mais um gel e resolvi manter o ritmo forte porque sabia que havia aberto uma distância daquele grupo mas que eles não estavam longe, encontrei um corredor com um ritmo forte e resolvi ir junto. Quando entramos no último km da prova falamos um para o outro “TEM que sair pra menos de 2h ein!” e apertamos o passo, após uma subida TENSA e dois tombos na lama finalmente vimos uma luz que indicava a volta para a estradinha e o final da corrida, só mais 500m e a missão estava dada por terminada. Ali o orgulho bate mais forte e as pernas cansadas arrancam as últimas energias para seguir correndo, mantive um ritmo na casa dos 4:00/km para chegar bem na linha e garantir a prova abaixo das 2h. Finalmente a missão estava cumprida, e muito bem cumprida. Para os fanáticos por números, o arquivo do Garmin está NESSE LINK, sem dados escondidos ou miguézinhos haha.

Pós prova

Missão cumprida e aquela sensação de querer largar de novo. Foto: Luiz Fabiano

A estrutura da TRC mais uma vez é destaque. Ao passar pelo rio no km 11 da prova (se não me engano) eu bati a canela em uma pedra grande com MUITA força e achei que havia quebrado inclusive. Fui ao posto médico e fui atendido com muita atenção pelos socorristas que descartaram a hipótese de fratura e fizeram um super curativo na minha canela para que eu pudesse seguir daquele jeito até em casa. Era muito legal olhar a cara de todos ali, super felizes com a prova e conversando coisas do tipo “meu, aquela subida não acabava mais”, “nossa, aquela trilha estava muito difícil”, “você viu aquele visual lá em cima?”, “ano que vem quero voltar para fazer os 44k” e assim por diante. Era quase unanimidade aquela sensação de quero mais e hoje eu entendo porque essa prova se tornou a queridinha dos corredores de montanha do Paraná. Espero que tudo dê certo para que eu possa voltar pra lá todo ano, nunca mais quero ficar sem viver aquilo pelo menos uma vez por ano. Mais fotos ou informações podem ser encontradas no FB da Prova. Grande abraço.

Andre Raittz