Conforme eu havia contado no PRIMEIRO POST do blog, foi na Meia Maratona de Curitiba que eu redescobri que o elo perdido na minha vida era o esporte e decidi voltar a praticá-lo. O começo não foi fácil, na época o vício do tabagismo e a vida noturna agitada me tomava boa parte do fôlego e era realmente muito difícil manter uma constância em qualquer tipo de atividade aeróbica. Fiz uma espécie de promessa naquele dia, prometi a mim mesmo e aos meus familiares que no prazo de um ano eu iria começar e terminar uma meia maratona, sem choro nem vela. Challange accepted. Pois então, consegui e já aviso que esse post vai ser longo rsrs.

Pré-Meia:

Já estava treinando a um tempo para essa prova em específico com a ajuda do Rafa (Rafael Scuissiatto, meu treinador) então lá por meados de Março/13 já resolvi fazer a minha inscrição pois o meu prazo (de um ano) estava terminando e eu não queria deixar de honrar a minha palavra, era muito importante pra mim. Confesso que fiquei tentado pela linda Meia de Floripa que aconteceria no mesmo dia, foram algumas semanas de indecisão até optar pela prova de Curitiba. Como tinha sido ali no MON (Museu Oscar Niemeyer, local de largada da prova) que a minha vida tinha mudado, nada mais especial que largar e chegar ali naquele lugar para fechar mais um ciclo na minha vida, resolvi parar de pensar muito a respeito e fazer logo a inscrição para os 21k de Curitiba, abrir mão da bela Floripa não foi fácil mas quem diria que seria né?

Passados os meses de preparação, imprevistos e tudo mais, eis que chega o dia da retirada do kit. Eu estava muito nervoso na semana que antecedeu a prova pois estava tendo que lidar com umas lesõezinhas chatas, dores que não me deixavam, estava inseguro e preocupado e quem acabou pagando o pato foi a Bruna rsrs. Acabei, por nervosismo e ansiedade eu acho, trocando as bolas, confundi os horários, achei que tinha combinado uma coisa e combinei outra e deixei a coitada sem almoço para ir comigo na retirada do kit. A mulher ficou uma arara e eu fiquei me sentindo mal mas como eu tenho uma namorada maravilhosa ela entendeu (eu acho rsrsrs) que aquele momento estava sendo intenso para mim e tudo acabou ficando bem, os kits foram entregues no “pavilhão” do Museu e surpreenderam. Uma feira bem legal surpreendia o pessoal que retirava suas camisetas e números de peito de forma bem eficiente (confesso que quando chegamos eu pensei que aquilo estava um caos, muita gente amontoada e pouca informação, porém quando a adrenalina baixou pude perceber que tudo aquilo tinha uma lógica e estava super organizado) confesso que me surpreendi com o kit que nos presenteou com algumas coisas que eu não esperava como uma touca/bandana/munhequeira/gorro/bandoleira/mileumautilidades, uns cupons de desconto e um livreto sobre a meia, show de bola. Com o kit veio junto uma dose extra de excitação, a prova realmente tinha chegado e aquela era a hora de provar pra mim mesmo que o objetivo ia ser cumprido. Fui pra casa (após fazer uma ergoespirometria na sequência) e tentei relaxar, dali umas horas eu iria estar correndo e a cabeça precisava estar boa.

Dia da prova:

Largada da Meia Maratona de Curitiba 2013 (Flávio barbado/Vivo Esportes)

Largada da Meia Maratona de Curitiba 2013 (Flávio Barbado/Vivo Esportes)

Saímos de casa, eu e Bruna, por volta das 6h da manhã. O taxi chegou pontualmente e mais ou menos na metade do caminho me liguei que havia esquecido o dinheiro em casa, voltamos e aí eu pressentia que algo errado estava acontecendo comigo, uma dor de barriga BEM forte estava me incomodando e precisei ir no banheiro antes de descer e voltar para o taxi. Seguimos em direção ao MON e o desconforto não me aliviava, resolvi desbaratinar, focar em outra coisa para não deixar que aquilo me abalasse.

No dia da retirada do kit a organização da prova havia nos avisado que a largada tinha sido alterada e aconteceria pontualmente as 7h da manhã para todos os participantes, mas não foi bem assim. Fiz o aquecimento me preparando para as 7h e na verdade esperamos bastante até a buzina tocar porém a ansiedade era tão grande que eu não registrei muitas informações do que aconteceu nesse período em que estivemos ali parados (umas senhoras super animadas que estavam do meu lado me fizeram algumas perguntas e começamos a conversar, talvez isso ajudou a passar o tempo). Largamos em um ritmo legal, minha estratégia era me manter no meu limiar de lactato (que eu tinha descoberto na sexta-feira, através de uma ergoespirometria) aproveitando os batimentos da forma mais eficiente possível, pois o meu objetivo era terminar a prova bem e curtir aqueles 21k. Consegui fazer uma boa média, correndo abaixo de 4:45 min/km dentro do meu limiar mesmo com as subidas (e como essa prova tem subida) e os 5 primeiros km foram mágicos, a dor havia ido embora, a cabeça estava super focada, a sensação era de vitória… Tudo maravilhoso até que chegou o temível km 7. A dor surgiu como um raio e em poucos metros já aumentava de forma muito intensa, um misto de vontade de ir no banheiro e de cólicas intestinais junto com uma sensação terrível de estar vivendo novamente um pesadelo que já havia abandonado a minha rotina (no final do ano passado descobri que tinha uma síndrome de distúrbio do sono um pouco rara, que causa movimentos involuntários e contrações abdominais durante a noite, fazendo com que eu acordasse TODOS os dias com cólicas intestinais absurdas, problema que foi resolvido graças a ajuda de uma grande neurologista cubana especialista em distúrbios do sono que me indicou o tratamento que tem funcionado até hoje. Acordar ainda é um processo que eu estou desenvolvendo a cada dia, mas sem dúvida que eu me sinto muito melhor a cada dia). Fui alternando momentos de dor aguda com momentos de tranquilidade e procurei traçar uma nova estratégia para a minha prova, já que eu conheço o meu corpo e sei que nesses momentos a dor só aumenta se eu não fizer nada (leia-se tomar um remédio), eu sabia que não iria conseguir segurar um ritmo X durante a prova então foquei nos meus batimentos cardíacos e tentei encaixar um “esforço” em vez de encaixar um pace, para ir adequando o corpo com o passar do tempo e absorver o desgaste da prova da melhor forma possível. Para ilustrar melhor o que aconteceu, vou fazer um relato da prova km por km:

Nessas horas a concentração é muito mais importante que a força. (Rick Nogueira/Vivo Esportes)

Nessas horas a concentração é muito mais importante que a força. (Rick Nogueira/Vivo Esportes)

KM 1 e 2: Uma subidinha para que a gente tivesse uma prévia de como iria se desenrolar a prova. No momento estava me sentindo muito bem, adrenalina da prova correndo nas veias e o ritmo estava na casa dos 4:20 min/km.

KM 3: Praticamente só descidas e pequenas subidas, até cairmos na Mateus Leme, trecho tranquilo também com os competidores bem animados e bem aglomerados. Ritmo continuava forte e nenhuma dor por enquanto.

KM 4: Aqui pegamos toda a extensão da Av Cândido de Abreu, na minha opinião uma das ruas mais legais da cidade. Entramos logo depois já no centro aonde encontramos um pessoal saindo das baladas assustados com aquela movimentação. rsrs. Ritmo na casa dos 4:45 min/km, sem dores.

KM 5: Passamos pela maior concentração de variedades culturais encontradas em Curitiba, desde o pessoal que estava indo trabalhar, até o pessoal que ainda não tinha deixado de curtir a noitada (destaque para 1 homem vestido e duas mulheres nuas que saíram na janela do seu prédio para terminar de tomar a sua cervejinha e assistir a Meia Maratona passar mais ou menos na metade desse quilômetro, cena motivacional para os mais de 2000 corredores que estavam ralando naquela manhã fria de domingo). Ritmo já começava a cair, na casa dos 4:40 min/km as primeiras dorzinhas na barriga já começavam, trecho variado.

KM 6: Continuamos subindo até cair na Rua Desembargador Motta. Aqui o meu corpo me dava sinais que algo estava acontecendo e todo aquele conforto dos primeiros quilômetros já havia ficado para trás. O ritmo se mantinha na casa dos 4:55 min/km, as dores já apareciam e o trecho era de subidas e descidas.

KM 7: Esse quilômetro foi um dos mais confortáveis da prova, de onde entramos na Desembargador Motta até ela cruzar a Vicente Machado era uma descida tranquila, onde podíamos relaxar e sentir um pouco mais o corpo, deixar que as pernas rodassem sem esforço para ir conferindo se tudo estava bem e foi nesse momento que eu descobri que não estavam, minhas dores começaram a apertar e desse momento pra frente minha prova nunca mais foi a mesma. Conseguia ainda ter momentos de pressão e momentos de tranquilidade mas o intervalo entre eles estava cada vez menor diminuindo cada vez mais a tranquilidade e aumentando a dor. Ritmo se mantinha na casa dos 5:00 min/km, as dores eram constantes e o trecho era de descida.

KM 8 e 9: Aqui foi um dos pontos altos da prova. Seguindo na Desembargador pós Vicente Machado o trecho era só de subida, uma subida que não terminava nunca. Quando chegamos na esquina da Desembargador com a Visconde de Guarapuava (Shopping Curitiba) pegamos a direita e adivinhe: CONTINUAMOS A SUBIR! Seguimos firmes subindo a Visconde até entrarmos a esquerda na Bruno Filgueira para começarmos a volta para o MON, já estávamos quase na metade da prova. Aqui o ritmo já estava bem inconstante alternando os segundo na casa dos 5:00 min/km (ora, 5:15, ora 5:20) e as dores estava começando a me incomodar bastante, em vários momentos precisei respirar, fechar os olhos e me concentrar, a situação era bem complicada. Trecho de pura subida.

KM 10 e 11: Esses dois quilômetros ficaram marcados pela descida de Av Iguaçú e pelo descidão da Rua Buenos Aires. A primeira bem tranquila, boa pra soltar um pouco as pernas das duas acumuladas que rolaram a pouco e a segunda pra afrouxar todos os parafusos dos joelhos e articulações até chegar no majestoso estádio Joaquim Américo, casa do poderoso Clube Atlético Paranaense, clube o qual eu nutro um amor verdadeiro a muitos anos e já me deu muitas alegrias. Ali na frente do Caldeirão eram feitas as passagens do revesamento (também ali era o primeiro ponto de isotônico da prova), o que por um pequeno momento me deu uma força muito grande por estar encarando sozinho os 21k mas logo se transformou em uma grande incógnita pois o pessoal começou a me ultrapassar muito rápido e eu não sabia se era eu que estava muito devagar ou o pessoal do revesamento estava voando rsrs. Ritmo rodando na casa dos 5:15 min/km, trecho de descida e um pouco de plano e dores já muito difíceis de serem administradas.

KM 12 ao 16: Nesse trecho da prova eu praticamente não consegui guardar nenhuma nota mental. Se não me engano os trechos não era tão íngremes, não me lembro de nenhuma subida ou descida muito forte porém a minha situação estava ridiculamente complicada. Minhas dores eram absurdas e eu não não conseguia prestar atenção em mais nada, ia cada vez me concentrando mais em manter o foco e tentar esquecer da dor, assim como ia fazendo muita força para que conseguisse manter um ritmo legal sem que nenhuma tragédia acontecesse. Não sou uma pessoa religiosa mas tenho muita fé, nesse momento lembro de pedir ajuda a muita gente no plano espiritual (meu avô que sempre me acompanha nessas empreitadas é um bom exemplo) e de me preparar psicologicamente para o pior, aquela situação estava me torturando cada vez mais e estava realmente muito difícil continuar na prova.

KM 17: Nesse quilômetro estava localizado (pra mim) o ponto mais difícil dessa prova. Por ser já no final, a subida do Viaduto Capanema reservava um nível extra de dificuldade e naquela momento terrível de dor eu pensei no seguinte: “Desde que eu fiquei sabendo do percurso dessa prova eu sabia que o viaduto seria o adversário mais difícil de ser batido, então eu vou subir essa ladeira, na raça e chegando lá em cima eu penso no que vou fazer depois”… E foi assim que rolou, meti o pé, aumentei o ritmo e ataquei a subida com força, como quem desafia aquela dor maldita que está sentindo, ultrapassei uma galera e nem mesmo eu acreditava no que estava fazendo, foi uma sensação ímpar.

KM 18: Terminando a subida do viaduto era hora de entrar no km 18 e para minha surpresa o que tinha logo ali na frente? Mais subida, lógico! A rua dessa vez era a Rua Sete de Abril que reservava um trecho bem difícil de subidas intercalando com uns estágios mais planos. Meu primeiro pensamento foi: “PUTZ” (sim, só PUTZ mesmo, porque eu não sabia o que pensar) mas logo depois disso já decidi que ia enfrentar mais essa subida antes de dar chance para o meu inconsciente tentar me parar. Continuei acelerando e segui viagem, as dores tentavam me segurar mas eu já estava com tanta raiva de estar sofrendo daquela maneira que só queria saber de seguir, seguir e ir o mais longe possível, em nome desse meu último ano de superação. Consegui conquistar mais esse desafio e aí o final estava mais perto.

KM 19: Aqui intercalamos algumas subidas com trechos planos, eu já nem conseguia prestar atenção no que estava fazendo e nesse km eu simplesmente desliguei da prova. Várias coisas me passaram pela cabeça, o que tinha me influenciado a retomar a minha vida no esporte, pensei nos quilômetros que já havíamos percorrido, pensei em todo o sofrimento que estava ficando pra trás e que cada passo seria mais um passo, simples assim. Pensava que a cada metro eu ficava mais perto do meu objetivo e assim a vida seguia.

KM 20: O quilômetro 20 reservava mais um pouquinho de subida antes de entrar em uma área mais plana no Alto da VX (lá pelas bandas da Alberto Folloni) e ali a confusão na minha cabeça já era grande. A dor era imensa e eu estava naquele momento fazendo muita força pra conseguir ficar firme mas a alegria de estar terminando uma prova como essa, dadas as devidas proporções era enorme. Olhei no Garmin e quando vi que faltava menos de 1 km para o final da prova resolvi juntar todas as forças e vencer essa penúltima etapa para curtir o último km de um grande desafio como esse.

KM 21: O último quilômetro foi de pura descida praticamente, descemos tudo que subimos nos últimos 3 km praticamente e a movimentação já era grande. Pessoas que haviam terminado a prova davam força pra gente pelas calçadas e eu resolvi tirar os meus fones para absorver ao máximo aquela energia, acho que nunca fiquei tão feliz em avistar o MON na minha vida. Quando percebi que estava na reta final da prova (com o povo nas calçadas torcendo e tudo mais) resolvi fazer um sprint final para pelo menos usar toda a energia que eu tinha guardada (se é que tinha me restado alguma coisa), sprintei os últimos 150 m a 2:30 min/km chegando enfim ao final dessa prova que me sugou tanto o percurso todo.

Com certeza essa não foi a minha chegada dos sonhos, fiquei muito feliz em ver a minha companheira inseparável torcendo por mim lá na arquibancada porque em momentos como aquele é muito importante contar com a vibe e a ajuda de quem amamos, até porque praticamente não conseguia caminhar mais. A dor na barriga estava insuportável e pela primeira vez da minha vida eu não sabia o que ia acontecer na sequência. Resolvi ir retirar a minha medalha (pois não sabia se iria ficar por ali muito tempo) e ir encontrar a Bruna pra pedir ajuda. Foi muito bom revê-la e naquele momento precisava realmente que alguém me ajudasse a pensar porque eu não conseguia mais fazer isso muito bem rsrs. Ela resolveu me levar na igreja que ela frequentava (a uma quadra dali) e foi a opção mais acertada para o momento, pois andar só uma quadra já foi um martírio e nunca quis tanto usar um banheiro como naquele momento. Não vou dar detalhes sobre o resto das dores e do que aconteceu porque esse é um relato sobre a prova e sobre o desafio que foi superado, a situação estava realmente feia e eu sofri bastante mas o que importa era que os 21k tinham ido pra conta e que eu estava vivo! rsrs

Minha performance estava longe de ser igual ao do queniano Mark Korir que fechou a prova em 1h05min08seg (e assim levou o caneco) mas para mim foi mais do que uma conquista, foi uma grande vitória. Fechei os 21k em 1h51min26seg na minha primeira meia, um tempo bem acima do que eu gostaria de ter feito porém dadas as devidas proporções fiquei muito satisfeito.

Mark Korir completou a prova com o tempo de 1h05m08s (Foto: Henry Milleo / Agência de Notícias Gazeta do Povo)

A caminhada:

Minha caminhada até aqui foi de muita disciplina e persistência. Conversando com um grande amigo e companheiro de corridas relembramos como era difícil a primeira batalha de conseguir fazer 3km, um tempo depois o novo desafio era conseguir correr 5km sem caminhar seguido de fazer os 5k sub 35′, sub 30′, sub 25′ sub 22′, sub 20′, os primeiros 10k e só no final de semana passado, os primeiros 21k. Claro que o histórico nos esportes ajuda mas o que posso tirar de informação de tudo isso que aconteceu é que o processo fisiológico tem o seu próprio tempo, tudo acontece no seu tempo. Se hoje eu consigo correr a 4:00 min/km nos 5k é porque a um ano venho treinando praticamente todos os dias para que isso aconteça, passo após passo, com calma.

Pontos positivos X Pontos negativos:

Tentar pensar na minha vida após essa revolução e escrever aqui é quase que tentar entender um filme cheio de informação na primeira vez que assiste, quase como assistir a Inception ou a Crash ou a Fight Club e dizer que pegou todos os detalhes na primeira vez que viu: MENTIRA. Foram muitas mudanças que implicaram tanto no meu desempenho esportivo quanto na minha vida, o esporte ia entrando cada vez mais e ia preenchendo um espaço que antes estava ocupado por coisas que estavam de fato prejudicando o meu dia-a-dia. Eu vou escrever um post completo depois sobre toda essa revolução  mas da pra dizer que hoje eu sou uma pessoa completamente diferente da pessoa que eu era a um ano atrás, mudaram os pensamentos, mudaram os hábitos, mudaram os vícios, aquela velha máxima de que o esporte muda a vida das pessoas pode ser aplicada a mim sem sombra de dúvidas.

Próximos desafios:

Nunca tive medo de completar esse desafio e ficar sem motivação para seguir em frente. Sempre trabalhei meus objetivos com muita clareza e particionei as conquistas para conseguir mensurar melhor o que estava acontecendo. Vou explicar:

Em vez de ter em mente: “MEU OBJETIVO É CORRER 21k”. Eu particionava isso para me organizar perante os meus treinos, então na minha cabeça ficava mais ou menos assim: “MEU OBJETIVO É CORRER 21K DEPOIS DE CONSEGUIR FAZER X PROVAS DE 5K, DEPOIS DE CONSEGUIR FAZER UM 5K SUB 20′, DEPOIS DE FAZER OS PRIMEIROS 10K ABAIXO DE 45′ E ESTAR COM O CONDICIONAMENTO EM DIA, ETC…”.

Cada “tarefa” dentro do meu objetivo tinha mais umas 10 “mini-tarefas” e assim eu podia ir lidando melhor com a alegria da conquista ou com a frustração da derrota e ir redimensionando os objetivos. A cada pauta que era riscada da minha agenda outras novas iam surgindo e os objetivos eram redistribuídos sem crise, pois só conhecendo mais a fundo o meu corpo e o esporte eu poderia ir moldando a minha preferência dentro desse gigante universo de possibilidades que se desenhava, prova disso é que acabei optando pelo triathlon antes de fechar o desafio dos 21k pois ia sentindo que o meu corpo estava ficando preparado e que esse novo desafio só teria a acrescentar tanto na minha vida quanto na preparação.

Hoje em dia estou analisando muita coisa para poder fazer a escolha certa, preciso de um desafio que me motive a dar o meu máximo todos os dias, sou movido a desafios e já consigo reconhecer isso na minha vida. Penso em fazer uma Maratona, penso no meu Meio Iron, penso em terminar uma Ultra, penso seriamente no Desafio do Dunga (um mix de 4 corridas na Disney, aonde o competidor corre uma prova de 5k na quinta, uma prova de 10k na sexta, uma meia maratona no sábado e uma maratona no domingo), penso em disputar travessias e provas de ciclismo, penso em muita coisa na verdade… Mas o que tenho muito presente na minha cabeça é que quero ser competitivo no esporte que escolhi e 2014 pra mim vai ser o ano do Sprint e do Triathlon Olímpico, como tinha conversado a afinado com o Rafael Scuissiatto lááá quando entrei para a minha equipe de triathlon. A partir de hoje, meu treinamento começa a gradativamente focar única e exclusivamente para a prática do Triathlon (preciso só de mais um mês pois tenho um desafio muito bacana que o pessoal da ASICS me convidou para fazer em Julho e estou levando isso muito a sério) onde eu quero ser muito feliz e disputar em alto nível todas as competições que entrar, minha prova alvo continua sendo o SESC Caiobá 2014 e é para isso que agora eu trabalho. Vou seguir firme com o mesmo entusiamo para que no final da jornada eu escreva novamente um post como esse, feliz e orgulhoso com uma nova conquista. Que as vitórias sejam frequentes e que os desafios nunca acabem.

Gostaria de agradecer o meu treinador Rafael Scuissiatto que mesmo me botando o terror muitas vezes fez com que eu conseguisse enxergar o meu potencial dentro do esporte e teve paciência para me ajudar nessa transição importante, agradecer aos amigos Márcio Prado, Lauro Caversan, MP, Vivi Baggio, Biel Carpenter e João Melo por todo o companheirismo e paciência em todo esse tempo, por terem me ensinado coisas das quais eu nunca mais vou esquecer, agradecer também a minha companheira e namorada Bruna que a 6 meses fez com que muita coisa na minha vida pasasse a fazer sentido, por nunca ter deixado de me dar força mesmo nas horas difíceis, agradecer a minha mãe por ter me emprestado uma grana para as provas quando eu estava duro e deixar um grande abraço e obrigado a todos que sempre dão e sempre deram força para que esse objetivo fosse cumprido. Acabou a brincadeira, agora a porr* ficou séria! rsrs

Andre Raittz.

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