Review: O,Symetric Rings
Experiência DiferenciadaNovo estímulo para o treinoInovação
Custo ElevadoDificuldade de acesso ao produto
73%Valor Total
Funcionalidade78%
Durabilidade83%
Inovação94%
Praticidade69%
Custo-Benefício40%
Votação do Leitor 0 Votos
0%

Confira o nosso review das coroas revolucionárias da marca francesa O,Symetric. Como funcionam, qual é o seu segredo, sensação ao pedalar e muito mais:

O ciclismo costuma ser um esporte bem tecnológico. As novidades que são de certa forma bem aceitas pelos atletas e suas equipes são buscadas como tesouros pelas grande empresas que estão sempre trabalhando para lançar novidades que causem o maior impacto no mercado e no dia a dia dos atletas. Esse review é justamente sobre uma dessas revoluções.

A O’Symetric é uma empresa responsável por uma das grandes revoluções “físicas” no ciclismo mundial, a marca não investe milhões de dólares em patrocínios e marketing e sim aplica um grande montante do seu orçamento no desenvolvimento dos próprios produtos. Essa filosofia tem tem ganhado cada vez mais ciclistas dentro dos pelotões mundo afora, atletas que enfrentam uma “briga” com suas equipes e optam por usar as coroas mesmo que escondendo a marca para não arrumar problema com os patrocinadores oficiais das equipes (Bradley Wiggins, Froome, David Millar, Richie Porte, Geraint Thomas e Frederik Van Lierde são exemplos). A O’Symetric desenvolveu uma coroa assimétrica (que acabou influenciando essa nova onda de coroas ovais que estão entrando no mercado) que é capaz de promover e potencializar a potência do ciclista em absurdos 12%, sim isso é verdade!

MAS COMO ISSO PODE SER VERDADE? Vamos aos fatos, como você pode visualizar NESSE VÍDEO as coroas da O’Symetric operam quase como se você estivesse usando duas marchas em uma só, elas alternam forças durante o ciclo da pedalada deixando o seu giro “pesado” quando precisa e “leve” no ponto morto da pedalada que é quando não existe força empregada (no ponto de 90º). São duas cadências andando juntas, duas forças no mesmo ciclo que promovem uma espécie de “micro descanso” para as pernas produzindo assim uma diminuição de até 12% na produção de ácido lático o que automaticamente reduz a fadiga fazendo com que o atleta possa empregar mais força do que normalmente empregaria.

2012_Chainringsosymetric_Wiggins

Wiggo é um dos maiores exemplos de ciclistas que intercedem a favor da O,Symetric em suas equipes. Percebe-se que a marca é pintada para que a exposição seja minimizada.

Ok, já percebemos que no ciclismo isso pode ser um grande divisor de águas já que os contra-relógios são disputados em segundos porém o que isso tem a ver com o Triathlon? TUDO! Imagine a seguinte cena, você está na sua prova alvo (que é um Meio Iron) e por um acaso do destino TODO MUNDO consegue nadar no mesmo ritmo, saindo da água juntos. Todos sobem em suas bicicletas para encarar os 90km e você nesse momento só por estar usando uma coroa O’Symetric ganha o direito de fazer uma escolha: fazer 12% a mais de força cansando a mesma coisa que o grupo ou pedalar no mesmo ritmo do grupo e economizar 12% das suas pernas para a corrida, as duas opções me soam bem interessantes. Caso você seja um exímio ciclista você pode teoricamente (se estiver em um dia bom, conseguir aproveitar 100% da sua capacidade muscular, estiver bem hidratado e todas as variáveis estiverem a favor) transformar um pedal de 270 watts de média em um pedal de 302,4 watts de média, aumentando em 32 watts a sua força. Em um percurso plano, se os watts fossem convertidos diretamente em km/h poderia significar um aumento de cerca de 4,5 km/h na sua média, o que em um pedal de 90km significaria quase 20 minutos! No caso da corrida nem preciso comentar sobre o que significaria sair da T2 com 12% a mais de perna do que todo mundo da sua categoria porque acredito que esse benefício já está mais do que claro.

Quais são as nossas impressões sobre o equipamento:

Uma das principais coisas que ainda dificultam a aplicabilidade dessas peças é a mudança de marchas, realmente ela fica um pouco mais instável e é preciso um pouco de paciência até por tudo no lugar porém a empresa conseguiu desenvolever um “pescador” que é instalado junto ao câmbio dianteiro e funciona como um dispositivo “anti-imprevistos” que impede a sua corrente de ficar caindo deixando o pedal muito seguro. Vamos ao relato do teste, feito por Andre Raittz:

“Impressões após a primeira pedalada: Realmente a mecânica da pedalada não é só placebo. Assim que você sobe na bike e pedala um pouco já sente que o “giro” é um pouco diferente, algumas pessoas relataram que ela da alguns “socos” ao pedalar porém isso eu não senti. O que senti foi um recrutamento completamente diferente dos grupos musculares, concentrando uma boa parte do esforço na musculatura interna da perna (grande adutor, vasto interno) aliviando bastante a pressão nos músculos mais recrutados pela corrida (isquiotibiais e até mesmo o reto femural). Já na primeira voltinha da oficina até em casa é possível perceber que o pedal com a O,Symetric é uma experiência diferenciada.

Impressões após o primeiro treino: Estreei a O,Symetric justamente em um treino de transição para sentir não só a mecânica da pedalada como as sensações da corrida pós pedal. De fato não se pode negar que alguma coisa acontece ao pedalar com essas coroas, você pode até não saber o que é mas percebe-se nitidamente que o pedal evolui de uma forma diferente. Tinha na planilha 2 baterias de 14km de ciclismo com 2km de corrida A2, resolvi sair com o segundo pelotão para forçar um pouco mais e ver se ela renderia. Ao chegar na metade da primeira volta resolvi ir solo para botar a cara no vento e forçar mais (a ideia era fazer bastante força mesmo pra avaliar a perna da corrida) e surpreendentemente me senti muito bem principalmente nas subidas. Sai para correr com o primeiro pelotão e até o retorno do 2k acompanhei o ritmo da rapaziada (que rodava na casa dos 4:20 min/km mais ou menos) sem sentir as pernas pesadas. Na volta da corrida senti um pouco mas acredito que é mais pela altimetria do que pelo esforço porque minha corrida ainda está encaixando visto que venho de lesão recente. A diferença da perna da corrida é notável, não é algo mágico e milagroso mas comparado com os outros treinos senti mais “conforto no desconforto”, principalmente naqueles 500/1000m pós pedal que as pernas ainda estão um pouco diferentes. Na segunda bateria permaneci com o pelotão para poder avaliar o giro e a mecânica da pedalada, no plano não consegui identificar muito a ponto de conseguir descrever aqui a diferença (acredito que com os próximos treinos vou conseguir encontrar as palavras) mas na subida percebe-se que da pra aproveitar melhor a força, subindo a diferença é bem considerável. Ao final do treino percebi que é preciso sim fazer um ajuste fino no mecânico após o primeiro treino porque ela fica pescando um pouco, mas acredito que é simples e rápido de regular.

Impressões após duas semanas de uso: Após o ajuste fino a estrutura mecânica se manteve e os pedais foram cada vez encaixando mais. A partir do momento que eu consegui pegar o jeito do ciclo a potência foi sim se desenvolvendo melhor pois eu mesmo estava conseguindo aproveitar mais da minha força. Ganhei cerca de 4 km/h em um mesmo trajeto (CWB/Pedágio/CWB) e a transição tem sim encaixado com mais facilidade, não é papo de vendedor é a física trabalhando a favor do atleta. Aquela impressão sensível de que havia uma diferença ao pedalar e que as musculaturas trabalhadas eram diferentes passam após 3 ou 4 treinos e parece que você sempre rodou com aquelas coroas, você só consegue lembrar que está rodando de forma assimétrica caso olhe pra baixo e perceba a corrente trabalhando para cima e para baixo. A Osymetric dá sim um pouco a mais de trabalho na manutenção porém se você for um atleta esforçado e disposto a pagar esse pequeno preço pela modernidade, vai estar muito bem servido.

kit-110mm-50Uma das grandes diferenças que precisam ser apontadas a respeito dessas coroas é o desempenho da bike escalando. É notável que uma das funções da peça, que é justamente direcionar a força no momento certo, se aplica com maestria. Não sei se é porque no aclive a posição que a força é empregada muda ou se a projeção do corpo pra frente ajuda na percepção mas é escalando que eu mais senti a diferença na evolução do pedal, inclusive arriscando afirmar que a transferência de potência nesses momentos é sim diferenciada mesmo que os estudos não comprovem 100% essa diferença.

Uma das coisas que também podem ser salientadas é o conforto no contra-relógio, aquela queimação e grande fadiga de um final de crono são bastante influenciadas pela coroa da O’Symetric que tornam o pedal muito mais confortável e encaixado.

Eu não precisei fazer a instalação dela em casa pois tenho a sorte de contar com um profissional como o Alex Montanha para fazer a manutenção das minhas bikes e dos equipamentos de review aqui do Vida de Triatleta, porém se você não tem um mecânico de confiança a instalação das coroas pode sim ser feita em casa.

Como tudo na vida as coroas da O’Symetric tem muitos pros e contras, porém elas podem facilmente ser incluídas naquela lista de produtos que acabam revolucionando a forma com que a gente vê algumas coisas. O que conta muito a favor dessas peças é a possibilidade dela operar em favor tanto do ciclista PRO quanto do amador, os resultados são aplicáveis a cada atleta de forma individual  e os números finais vão depender muito de como você vai encarar essa mudança. Definitivamente elas não são algo “plug-and-play”, é preciso sentir a novidade e ir curtindo com paciência toda a evolução que esse equipamento pode proporcionar. Um dos contras para nós brasileiros é o preço, que hoje gira em torno dos U$ 300,00 mas que com as duras e imperdoáveis taxas do governo brasileiro para importação pode chegar a  R$ 1150,00. Para o ciclista/triatleta que está disposto a investir em qualidade para o seu equipamento e gosta de estar sempre garimpando novidades para a sua performance as peças da O’Symetric podem realmente proporcionar grandes momentos.

 

DADOS TECNICOS