Trail dos Ambrósios 25k - Race Report CamelBak
Visual IncrívelAscensão do QuiririComposição de Terreno
Problemas na OrganizaçãoMarcação Confusa
71%Valor Total
Percurso85%
Segurança65%
Organização45%
Visual90%
Kit67%
Custo71%
Votação do Leitor 1 Voto
29%

Ao ser confirmada a última etapa da TRC Brasil nós nos organizamos para fazer força lá no Trail dos Ambrósios e no 1º Cross Duathlon TRC, duas provas absurdamente lindas e que surpreenderam muita gente pela dificuldade e por tudo o que aconteceu nesse final de semana maluco no município de Tijucas do Sul em Santa Catarina. Dadas as apresentações, vamos ao que interessa:

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A matilha reunida no último longo antes da prova! (Bruno Calvetti, Murilo Bortolotto, Eu)

Após tomada a decisão de partir para o Double da TRC (Trail dos Ambrósios no Sábado e Cross Duathlon no domingo), era hora de sentar com o coach Bruno Calvetti e definir todo o planejamento para concluir o desafio da forma mais honrosa possível, definimos que de fato não era tão necessário aumentar bruscamente o volume (pois o andamento do ano havia se desenrolado na longa distância a alguns meses) mas que era preciso aumentar consideravelmente a altimetria dos treinos e a dificuldade (duração) dos longos juntando mais experiência de terra até o dia da prova. Posso dar destaque a pelo menos três treinos interessantes antes da prova, A TRILHA DA CACHOEIRA SLP (que deu uma boa cancha de ritmo e de perrengue pelo piso molhado e travado do início ao fim), SUBIDA DO ANHANGAVA, ITUPAVA E PÃO DE LOH (pela altimetria considerável e o perrengue nas mais de 5:20h de treino) e ESTRADINHA + ARAÇATUBA (pela ótima noção de ritmo em estradão por mais de 20k e a ascensão do Morro Araçatuba que é uma das montanhas mais duras de correr aqui no Paraná na minha opinião) que fizeram uma ótima base para o desafio.

A logística não seria muito diferente dos outros dias, resolvi preparar um material leve, simples e prático para essa prova pois como ela se desenrolaria 70% em estrada de chão teria tudo para ser uma prova rápida, não dando muita brecha para estratégias complexas de alimentação. Corta-Vento, apito e manta térmica eram equipamentos obrigatórios mas fora isso nenhuma grama a mais foi carregada sem funcionalidade. Optei por fazer uma alimentação 90% baseada em suplementação (géis, barras de energia, BCAA, sal) e levar 2,5Lt de água. Decidido tudo isso fui até a Território Mountain Shop retirar o kit, como já é praxe na loja tudo estava muito bem organizado, a retirada foi rápida e o astral do pessoal era o melhor possível. Ótimo para já ir aquecendo os motores para a prova.

Tendo tudo na mão era hora de se organizar para partir. Como o local da prova fica a aproximadamente 1h de Curitiba e o meu parceiro de treino Murilo Bortolloto iria para os 42k (que largaria as 7h) resolvemos por sair de casa as 4h porque ainda passaríamos na casa da Ju (Trail Mothers) em Campo Largo para só depois descer. Logística difícil pois exigiria acordar as 3h para acordar, tomar um banho, comer alguma coisa, ir no banheiro… Vencida essa primeira barreira partimos rumo a Tijucas, eu pensava que seria o mesmo caminho da Maratona dos Pedidos porém ledo engano, entramos a direita na primeira placa de Tijucas e seguimos por ali cerca de 5km até entrarmos na estrada de chão que nos reservaria mais 30’ de buraqueira e adventure (teve gente pedindo pra usar o banheiro natural, mas não vou caguetar senão vai ficar ruim pra mim também). Finalmente chegamos a largada por volta das 6:20h da manhã, daria tempo para a galera dos 42 comer alguma coisinha, encher as CamelBaks e alinhar. A expectativa já estava alta e tratei de arrumar tudo para ter certeza que nada sairia errado.

A PROVA (navegue nas abas a baixo para desenrolar a história):

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Galera empuleirada no busão rumo a largada.

Após a largada da maratona, foi a nossa vez de se organizar. Nos 25k a largada seria em outro ponto um pouco distante dali, 7:20h e o recado do locutor da prova que dizia: “Todos pra dentro dos Escolares, que o bonde da vai partir em breve!”. Após conferência dos equipamentos obrigatórios na porta do ônibus embarcamos numa viagem super engraçada, um monte de marmanjo e mulher feita pendurado nos “puta-merda” do busão indo para a largada na estrada de chão foi no mínimo curioso. Chegando lá (em um lugar entre o nada e lugar nenhum) fomos informados pela primeira vez do bafafá que duraria o dia inteiro, pessoas haviam retirado as marcações da trilha durante a madrugada, o pessoal dos 42k estava perdido e as nossas marcações também haviam sido trocadas, precisaríamos esperar o pessoal da organização refazer o começo da nossa trilha para enfim poder largar (o que atrasou a largada em mais de meia hora).

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Pessoal da Webtreino na pré-largada dos 25k

Aguardamos o prazo tentando manter o alto astral e o aquecimento, conversando sobre a prova e contando algumas piadas para ver o tempo passar até que foi dado o recado de que a largada aconteceria em cinco minutos. Nesse momento esqueci de tudo e tratei de focar em tudo que havia treinado e na minha estratégia de prova pois estava focado em tentar um bom resultado para fechar bem o ano. Enfim largamos.

Curiosamente largamos no meio de uma piramba e já deveríamos subir, as pernas incham logo e aquela sensação da porrada que geralmente rola um pouco mais tarde deu as caras logo cedo. Apesar de não ter chovido muito nos dias que antecederam a prova, o piso estava BASTANTE enlameado o que exigiu muito das pernas desde os primeiros 100m, após um primeiro sobe e desce bem barrento entramos na primeira grande subida da prova. Fiquei um pouco perdido porque tentei decorar o mapa da altimetria mas sabia que o que estava correndo não batia muito com o que eu havia me programado para fazer (fui descobrir depois que havia sido um dos que se perderam pois a marcação do 25k também havia sido alterada, porém estava tão concentrado e de certa forma administrando o sofrimento que devo ter seguido alguém e voltado para a trilha no meio do caos, os primeiros 40 minutos da prova não estão tão claros na memória, peço desculpas). De qualquer forma segui firme até a primeira subida, onde tentei me posicionar junto com a segunda geral feminino que perseguia a líder Ana Giovanelli, sabia que ela imprimiria um ritmo forte e que seria uma ótima referência naquele momento.

A primeira subida já foi muito dura, no estradão tivemos uma ascensão sinistra muito difícil de ser ritmada, com as pernas duras estava difícil de me manter competitivo ali. Após essa subida seguimos para uma descida forte em piso BEM irregular com buracos, pedras e lama vermelha lisa que dava em uma track bem bonita onde eu, TCHARAM, me perdi novamente… Em vez de passar por baixo de uma cerca errei e segui a direita indo parar em um descampado por onde segui por aproximadamente 7 minutos quando me liguei que não havia mais fita nenhuma e havia me perdido. Dei a volta e voltei até o único ponto que lembrava ter visto alguma marcação (a maldita cerca fitada) e quando cheguei ali vi um grupo grande de atletas passando por baixo da cerca e seguindo em frente, me culpei um pouco pela burrada e segui tentando recuperar as posições que havia perdido (sem muito sucesso pois a galera estava forte e a trilha estreita dificultava muito qualquer ataque).

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[tab title=”MEIO”]

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Plaquinha tão temida que indicava que a chinela logo ia cantar.

Segui tentando encaixar pois já estava me sentindo muito melhor, nesse meio tempo encontrei o Neto da The North Face e seguimos juntos até o pé da principal subida da prova: os campos do quiriri (ou morro do quiriri, ou subida do quiriri… não sei ao certo como chamar, se alguém puder fazer a gentileza de informar o local certo do lugar para correção agradeceria). Local mais lindo porém mais duro da prova, uma ascensão de cume muito difícil e travada que exige muito do corpo e da cabeça. Ela é dividida em 3 “cumes”, você faz muita força achando que está visualizando o cume mas na verdade é só 1/3 da subida, chegando lá você vê que tem MUITO chão pela frente e a cabeça dá uma derrubada mas foi a parte em que eu mais me senti bem na prova pois abria bastante do pessoal que estava atrás de mim e me aproximava cada vez mais do pessoal que estava a minha frente. Segui negociando com a cabeça até chegar ao topo aonde a temperatura diminuía a cada metro que o altímetro indicava, resolvi não colocar o corta vento (pois seria uma função tirar da CamelBak) e apertar o ritmo para sair de lá de uma vez. Corremos um pouco pela crista da montanha em um piso muito irregular com mato alto e buracos “maquiados” que me fizeram torcer o pé duas vezes de uma forma bem dolorida, indicando para o meu corpo que ali não seria um bom lugar pra se arriscar.

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Estava muito difícil de correr na crista, atenção redobrada e freio no ritmo foram imprescindíveis.

Segui administrando até o único ponto de hidratação da corrida que eu me lembro (inclusive tem uma passagem engraçada nesse lugar, tinha uma moça muito legal que nitidamente tentava conversar com a galera para animar o pessoal que vinha do pior sofrimento da prova, ao chegar ali ela me perguntou: “-Essas fitas aí no joelho ajudam mesmo?”… Quase sem forças para responder tentei pensar em algo um pouco mais elaborado em vez de falar só UHUM e respondi: “-Olha moça, eu prefiro acreditar que sim!… Todo mundo caiu na risada e segui viagem). Iniciei a descida com confiança, sabia que seria dolorido mas que agora o que pegaria seria a dor muscular pelo impacto e não aquela dor de fadiga aeróbica da subida. Tentando encaixar um ritmo nas pernas já destruídas me deparei com um piso muito difícil de administrar, lama vermelha lisa, pedras soltas em uma descida BEM inclinada faziam com que o ritmo não fosse aquele que eu planejara a duas semanas. Em uma dos momentos inclusive passei por uma patrola trabalhando, cavando buracos grandes na estrada o que me fez ficar um pouco receoso e segurar a onda até chegar no plano aonde eu sabia que conseguiria correr melhor que naquela descida maluca.

Entrei no trecho plano e aí a prova ficou gostosa, isso já se dava mais ou menos no quilômetro 21, aonde consegui imprimir um ritmo legal e me sentir bem novamente na prova. Fui buscando alguns atletas que perdidos já tinham rodado mais de 25km naquele momento quando eu percebi que o dia também tinha sido duro para outros atletas. [/tab]

[tab title=”FIM”]Finalmente olho no GPS e me aproximo do km 24, começo a ficar feliz e animado com a chegada quando trombo todos os meus amigos ,inclusive meu treinador que havia largado nos 42, sentados em uma curva dando força e incentivando os atletas. Ao me ver o pessoal começou fazer uma gritaria e aquilo me deu um gás incrível, me sentia muito bem quando veio o baque! Meu companheiro de treino Murilo solta a seguinte frase: -SEGUE FIRME MONSTRO PORQUE AGORA É SÓ MAIS 3,5KM!! Meu mundo quase caiu por terra, eu já tinha passado dos 24km estava quase com 25 e a galera me fala que ainda tem 3,5 pra correr, aquilo soou como um balde de água fria pois achava que estava a poucos metros da chegada. Me reorganizei psicologicamente e segui tentando encaixar mas o corpo já não respondia mais como antes porque a cabeça já tinha caído, pelos vários problemas no percurso, aliado ao sofrimento e a mudança brusca da expectativa da chegada. Dali pra frente foi tentar manter a postura e seguir firme para terminar logo da melhor forma possível.

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A corridinha migué e finalmente a chegada do Trail dos Ambrósios

Os trechos até a chegada são de um sobe e desce grande, muito inclinados e com muita lama, muito bons para deixar tudo o que tem e tentar dar o máximo para deixar ali tudo o que tem. Segui a passos “não-tão-firmes” mas constantes até a linha de chegada que ficava em cima de um morrinho na frente da igrejinha. Ao sair da trilha você finalmente já começa a ouvir o locutor da prova e aí é só alegria. Enfim terminaria os quase 30k do Trail dos Ambrósios.

Ao cruzar a linha de chegada as primeiras perguntas do pessoal já começaram a acontecer: “Quantos km fez?”, “Se perdeu também?”, “Alguma notícia do pessoal do 42?”, “Cruzou alguém perdido no caminho?”. Naquele momento percebi que o caos era muito maior do que eu imaginava, fiquei sabendo ali que a galera do 42 havia largado, corrido 13km e voltado para o local da largada por causa da mudança das marcações durante a trilha, alguns haviam relargado para fazer o percurso dos 25km mas a maioria havia decidido não largar novamente pois demorou um pouco até que fosse decidido o que fazer (dentre eles estava a galera da minha equipe, por isso estavam lá naquele local dando uma força para os competidores que ainda estavam correndo). As informações que temos é que uma dupla que estava de moto ficou a manhã inteira retirando as marcações, inclusive mais de uma vez, causando um verdadeiro caos na logística da organização que tentava desesperadamente reorganizar a prova. Meu treinador inclusive se deparou com essa dupla na estrada, aonde um dos rapazes portava um balde cheio de fitas da marcação, quando confrontados subiram nas motos e bateram em retirada. A Polícia Militar foi acionada comparecendo ao local, fortemente armada inclusive, fazendo com que as sabotagens cessassem por hora, porém como a maioria do pessoal já tinha chego isso não influenciou em nada na corrida (a não ser pela prevenção de um confronto maior entre organização e os vândalos).

[/tab][/tabgroup] Só continue se tiver lido as três partes lá de cima, senão vai ficar perdido jovem. Sei que ficou longa mas é que o dia foi cheio 😉

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O visual do Trail dos Ambrósios é sem dúvida um dos mais bonitos que eu já corri.

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Não só a neblina mas as sabotagens também encobriram uma parte do evento, que isso seja um apreendizado para todo mundo, inclusive os corredores.

Mais do que um Race Report, esse texto precisa também ter um posicionamento do Vida de Triatleta sobre a situação. Após a prova a reclamação foi generalizada, não conversei com nenhuma pessoa que não tivesse tido pelo menos um contra tempo durante a prova e isso foi pesado de vivenciar porém por outro lado também presenciei o trabalho incansável da organização em tentar solucionar o problema refazendo os percursos e dando o devido socorro a TODAS as pessoas na trilha não deixando em nenhum momento ninguém correndo algum tipo de risco. Alguns corredores ficaram perdidos por um pouco mais de tempo porém sem estar expostos a riscos claros acredito eu, isso tem que ser salientado. Não sei porque motivo esses sabotadores agiram tão ativamente para prejudicar a prova, se fosse uma molecagem provavelmente os mesmos teriam feito uma vez só, teriam dado risada da situação e ido embora e não insistentemente teriam mudado tudo várias vezes por horas e horas. Todas essas perguntas aparecem agora mas eu acredito que devo julgar os acontecidos dentro da esfera que me envolve que se resume á: houve algumas pessoas que retiraram as marcações da trilha e muita gente se perdeu, a organização fez sim de tudo para tentar reestabelecer a normalidade da prova e dar assistência a todos os corredores que estavam no percurso, as pessoas que estavam ali correndo e se prepararam por meses para a prova foram sim prejudicadas por alguém e lesadas de alguma forma, cabe a organização da prova ou a polícia militar apontar o acontecido e pelo menos dar um feedback em sinal de respeito a todas essas pessoas que acreditam na instituição e acreditam na corrida de montanha. Não tenho direito de apontar culpados porque essa mesma história pode ser vista de várias formas mas entendo o lado dos corredores que se sentiram lesados e desrespeitados de alguma forma e também entendo o lado da organizadora que em uma situação completamente atípica fez de tudo para que a situação fosse normalizada e na verdade fez tudo o que estava ao seu alcance no momento. Já participei de alguns eventos da TRC (que podem ser conferidos AQUI e AQUI por exemplo) e em todos elogiei muito a organização e o andamento da prova, sempre confiei na empresa e acredito que ela seja dirigida por gente da maior boa vontade e da melhor expertise do mercado. Qualquer ação que acontecerá daqui pra frente sera baseada única e exclusivamente na cortesia e na humildade (de ambas as partes), tanto da organização em organizar e oferecer aos corredores lesados algum tipo de contra partida quanto dos corredores em entender a situação atípica que ocorreu e tentarem se colocar no lugar da organização. Infelizmente esse tipo de ação acontece, não podemos reagir a ela alimentando mais agressividade e conflito.

Essa é a minha opinião sobre uma prova linda que acaba sendo encoberta por acontecimentos tão específicos, fica a torcida para que isso nunca mais aconteça e a lembrança daquele cume fantástico que acredito, nunca mais vai sair da cabeça. Obrigado e boas provas a todos.

CamelBak Training Club

Esse foi mais um Race Report CamelBak, para mais informações sobre hidratação e sobre a marca clique na imagem acima. #CamelbakTrainingClub

Trail Gear: Tênis: Solomon Fellraiser, Compressão: Webtreino/Woom, Meias: Compressport Trail, Tech: Garmin Brasil, Hidratação: CamelBak Octane, Nutrição: Nutrishape (GU, 2nd Surge, Powerbar, Exceed Salt) e as batatas salvadoras.

Garmin da Prova: Clique Aqui.

Andre Raittz