Mais uma prova da TRC Brasil, mais um sucesso nas montanhas do Paraná. Saiba como foi a nossa participação no Troféu Marumbi 2015 através do relato do atleta Andre Raittz (Vida de Triatleta/Webtreino/Nutrishape):

Esse post será um pouco mais curto comparado ao último da Maratona dos Perdidos. Nas duas semanas que antecederam a prova tive um imprevisto muito difícil de saúde familiar que resultaram na perda do meu velho, um cara muito forte que acabou vencido por uma batalha maior do que ele. Estou trabalhando essa questão de forma pessoal mas gostaria de usar esse espaço para fazer uma homenagem a ele e principalmente agradecer aos meus amigos pela acolhida, meus grandes parceiros da montanha pela gentileza e carinho me incentivando a estar presente e não desistir da competição, meus grandes parceiros Camelbak, Webtreino, Nutrishape e Tribo Esporte pela paciência e incentivo e PRINCIPALMENTE ao meu treinador Bruno Calvetti por tudo que tem feito por mim e aos meus amigos Murilo e João pelo dia astral em Morretes, vocês fizeram toda a diferença e eu nunca vou esquecer.

Feitas as devidas introduções, vamos ao que interessa: TROFÉU MARUMBI 2015. A prova tinha tudo para ser literalmente um campo de batalha e assim como esperado, foi. O município de Morretes, aonde se localizaria a largada dessa etapa do Circuito TRC, fica a aproximadamente 1h de Curitiba, uma cidade pacata e muito bonita que ainda resgata e conserva arquiteturas seculares e estradas de tirar o fôlego. Por ser uma cidade litorânea o clima é muito diferente da capital paranaense e os dias de chuva que antecederam a prova judiaram muito o percurso, adicionando uma dificuldade a mais e tornando a prova ainda mais divertida.

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Eu, Bussmann e Monstro buscando o primeiro grupo seguindo as orientações do Mestre Calvetti.

Saímos de Curitiba por volta das 6:10h e após buscarmos cada guerreiro em sua respectiva casa seguimos para o litoral. Devido a um imprevisto de logística pegamos um “atalho” para o local da prova que resultou em 15′ e 3942349873 curvas torturantes fazendo com que o corpo já desse uma balançada e se preparasse para o que estava por vir. Chegamos em Morretes exatamente as 8:20h e rumamos a entrega de kit que seria feita até as 8:30h na eficiente estrutura da TRC Brasil (que já virou marca registrada da empresa).  Após batermos um rápido papo nos direcionamos para o funil de largada para ouvir as últimas instruções do professor que avisava novamente: “Rapaziada, quando a buzina tocar quero todo mundo socando o porrete na largada, ali em cima antes do primeiro rio já afunila tudo e se vocês não conseguirem chegar em uma boa posição vão ficar muito tempo parados, esperando a fila indiana atravessar o rio que deve estar cheio”. Quando a buzina tocou e o nosso amigo e locutor Raphael Bonatto deu a largada ninguém ligou para a chuva fina que caía na cidade e perto dos 3:15min/km todos saímos forte para buscar o pelotão da frente afim de evitar o tal congestionamento. Seguimos nesse ritmo até o primeiro “descampado” e ao avistarmos os primeiros, eu e Murilo (relatado daqui para frente nesse Race Report como Monstro, sou fã desse cara) já perdemos o Bussmann de vista e começamos a encaixar o ritmo para que o motor não fundisse logo no começo, estabilizando tudo na casa dos 4:00/4:15. Entramos na trilha com as passadas bem fortes até que eu me perdi em uma bifurcação por não observar a marcação nas árvores ouvindo prontamente palavras de incentivo do monstro que gritava: “ANDRE, É POR AQUI HOME! VAI AONDE?”, assim consegui me recuperar prontamente e liguei o 4×4 para já buscar o companheiro e seguir viagem. Chegamos ao primeiro rio com o grupo dos 25 primeiros colocados e a travessia (apesar das águas estarem um pouco fortes) foi bem tranquila, dando um susto nas pernas e aquela sensação de “agora começou!“. Alguns metros a frente a inclinação já começou a apertar e o monstro que tem uma descida ABSURDA segurou um pouco a onda estrategicamente me perguntando: QUER PASSAR ANDRE?… Respondi que sim prontamente e milésimos de segundos depois já me arrependia da escolha, agora precisava apertar o ritmo e seguir forte, ninguém mandou pedir caminho.

Olimpo visto da estrada que dá acesso ao Complexo Marumbi

Olimpo visto da estrada que dá acesso ao Complexo Marumbi

Dali pra frente a subida foi ficando cada vez mais íngreme dificultada pela lama que havia se formado na montanha seguimos andando forte até a primeira parada para a passagem do trem, não sei até agora se alguns atletas conseguiram passar antes do socorrista interromper o trânsito, mas sei que ficamos ali um tempão até que o fluxo de atletas fosse restabelecido. Nesse momento eu já estava muito emocional dado a tudo que havia acontecido nos dias que antecederam a prova e minhas lembranças estão um pouco confusas, não me lembro se a subida continuou antes ou depois do trem fantasma (a corrida passa por um túnel de escuridão total, com exceção do Fantasma [campeão geral da prova com 1:09h] todos nós precisamos se virar nos 30 ali) que adiciona uma sensação super diferente a prova ou se atravessamos o riozinho por baixo da ponte antes ou depois da última grande subida mas me lembro muito bem que a prova teve muita lama, subida e gente correndo forte. Ao concluir a subida seguimos pelo trilho por um tempão até começar a descer, tempão esse que ajuda bastante para fazer a ingestão de gel, BCAA, sal, etc (ta aí uma dica para quem vai largar ano que vem, usem esse trecho para se organizar). Ao chegar na estação Marumbi a corrida vira a direita e a descida (porradaria) começa, tão inclinada quanto a subida esse trecho é cheio de pedras lisas e lama dos lados tornando a descida muito técnica. Como eu estou lidando com uma lesão chata que me causa bastante dor na banda iliotibial ao descer, não consegui imprimir o ritmo que queria e segui entre 4:45 e 5:00/km afim de tentar administrar a vantagem legal que consegui abrir na subida. Foram alguns dolorosos quilômetros até que a prova se torna plana, aonde eu consegui manter o ritmo sem tanta dor, o que me deixou muito feliz.

Faltando menos de 1km para a chegada fui ultrapassado pela primeira colocada geral do feminino e tentei ir junto para aproveitar o pace pois sabia queela estava forte mas o impacto da descida já tinha castigado muito meu joelho e eu não consegui ficar com ela por mais de 500m. Assim que desacelerei percebi a aproximação da segunda colocada e segurei um pouco o ritmo para seguir com ela até o final. Foi uma chegada emocionante para mim, se não fosse pelos meus amigos e pelo incentivo dos meus familiares talvez a minha participação nem teria ocorrido. Foi de lavar a alma.

Ao chegar o Bonatto anunciou a minha presença e desligou o microfone para me falar algumas palavras muito especiais, gostaria de agradecê-lo publicamente pela força e incentivo (para quem não sabe, o Raphael Bonatto foi quem me trouxe para o triathlon lá no começo de 2013 e foi um grande incentivador do Vida de Triatleta nos primórdios do site, devemos muito a visão empreendedora desse grande amigo!). Ao andar um pouquinho mais encontrei a Bel, o André e o meu sobrinho lindão que havia tomado 3 capuccinos e estava correndo no “full-gas” por toda a área da organização do evento, foi um final de prova muito legal com pessoas muito especiais (isso incluindo todo o pessoal da Webtreino e outros amigos de outros lugares que encontrei por lá), fez toda a diferença ter descido a serra para enfrentar mais esse desafio.

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Lugar fantástico para se correr. Ano que vem estaremos lá novamente.

Acredito que o ponto alto da prova é o visual, a organização e o clima de acolhida que a TRC sempre traz aos seus atletas, me senti muito bem lá como em todas as outras provas da empresa (e isso não é jabá, bem que eu queria que fosse, inclusive se a TRC quiser me convidar para as próximas etapas eu acharia lindo), só tenho uma ressalva a fazer… Quando li o manual da prova estava lá escrito que CASO fosse necessário interromper a prova devido a passagem do trem, seriam anotados os números de todos os corredores que por ventura não tivessem conseguido passar e o tempo parado seria descontado no final da prova, o que infelizmente não aconteceu. Eu e o grupo em que estava ficamos parados duas vezes por causa dos trens o que resultou em 11 minutos de paralisação (o arquivo do Garmin está AQUI), tempo esse que impactaria diretamente na classificação geral caso os primeiros colocados da categoria tivessem conseguido passar antes (participei da categoria 20-29 e fiquei com a 9ª colocação com o tempo bruto de 1:41h aonde o terceiro colocado, por exemplo, fechou a prova com 1:31h, um minuto a mais do que o meu tempo com os descontos). Isso de forma alguma tira o brilho da prova visto que a minha intenção lá era de ocupar a cabeça e estar juntos dos amigos mas acredito que o pessoal mais crica com performance e resultados deve ter ficado decepcionado, ponto importante para trabalhar nas próximas.

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Pessoal da Webtrail feliz da vida após o Troféu Marumbi, destaque para a nossa cabrita das montanhas Mônica Violato Curial que subiu ao pódio conquistando o terceiro lugar na sua categoria nos 15k.

Trail Gear:

Tênis: Solomon Speedcross 3, Compressão: Webtreino/Mauro Ribeiro, Meias: Compressport, Tech: Garmin Brasil, Hidratação: Camelbak Octane, Nutrição: Nutrishape/GU (e as batatas salvadoras).

CAMELBAK BRASIL

Esse Race Report marca a estréia da Camelbak Brasil como apoiadora do material de Trail do Vida de Triatleta. Para quem não sabe a Camelbak é uma empresa que produz produtos para hidratação de diversos esportes e hoje é talvez a marca mais lembrada no mundo ao se falar no tema. Com uma vasta variedade de opções a empresa traz a cada dia mais novidades ao esportista de aventura. Em muito breve novas ações super legais estarão sendo desenvolvidas nessa nova parceria e gostaríamos de dar as boas vindas e agradecer pela confiança a todo o pessoal da Camelbak Brasil em especial ao Pedro Lacaz que comprou as nossas maluquisses desde o começo!

Nos vemos nas trilhas!

Andre Raittz